Protesto contra alta do juro danifica prédio do BC em Brasília

Estudantes e trabalhadores jogam tinta, canos e garrafas contra o edifício-sede da autoridade monetária

FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

19 de junho de 2008 | 13h19

Um grupo de estudantes e trabalhadores que realizou na manhã desta quinta-feira, 19, um protesto contra a política monetária do Banco Central jogou tinta, canos de PVC e garrafas d'água contra o edifício-sede da autoridade monetária, em Brasília. O protesto sujou parte da fachada do banco com manchas e inscrições nas cores verde e amarela. Segundo a Polícia Militar, cerca de 1,5 mil pessoas participaram da manifestação.Gritando palavras de ordem contra a política monetária e o presidente do BC, Henrique Meirelles, os manifestantes pediam a redução da taxa básica de juros, a Selic, e o aumento das verbas para a educação. "Estudante quer estudar, mas Meirelles não quer deixar", repetiam os manifestantes.     Durante o protesto, policiais agiram para evitar mais estragos na fachada do edifício. Um grupo de cerca de dez PMs caminhou em meio aos manifestantes no momento em que estudantes escreviam palavras contra o BC e jogavam tinta nos vidros do prédio. Apesar de canos e garrafas terem sido arremessados, nenhum vidro foi quebrado e ninguém ficou ferido.O ato foi organizado pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), entidade ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). A maioria dos participantes era, no entanto, estudantes das cidades satélites de Brasília, como Taguatinga e Ceilândia. O evento contou com o apoio da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e da União Nacional dos Estudantes (UNE).O presidente nacional da CUT, Artur Henrique, disse que manifestações semelhantes ocorreram em frente às sedes regionais do BC em capitais do Norte e do Nordeste do País. "Viemos marcar posição contra a política de juros altos praticada pelo BC e contra os empresários que têm especulado com o aumento de preços diante da expectativa de que a inflação pode subir", disse o sindicalista.Artur Henrique concorda que a inflação é ruim para o trabalhador porque diminui o poder de compra dos mais pobres, mas discorda da estratégia para evitar o aumento dos preços. Para o presidente da CUT, ao invés de aumentar os juros, o governo deveria retomar a política de estoques reguladores de alimentos, ampliar a reforma agrária e o programa de agricultura familiar, além de agir contra empresários que aumentam preços.

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