Protesto de agricultores na Argentina deve durar 8 dias

Os presidentes das quatro maiores entidades rurais da Argentina anunciaram que o protesto do setor agropecuário, iniciado hoje, vai se estender até o dia 15 de maio. "A nova etapa dos protestos vai ter uma duração até quinta-feira, inclusive, quando voltaremos a nos reunir para avaliar a situação", afirmou o presidente das Confederações Rurais, Mario Llambias. Ao lado dos demais líderes, Luciano Miguens (Sociedade Rural), Eduardo Buzzi (Federação Agrária) e Fernando Gionio (Coninagro), Llambias explicou que "a modalidade do protesto consistirá em mobilização com presença dos agricultores ao longo dos acostamentos das principais rodovias do país, esclarecendo sobre a situação do campo, mas sem bloqueios do tráfego". Os agricultores decidiram "não comercializar grãos com destino à exportação". Com isso, o governo não poderá arrecadar os impostos de exportação. Além disso, as entidades vão realizar, durante estes dias de protestos, "distintas assembléias do país". "Vamos pedir audiências com governadores, prefeitos, deputados e vereadores para que conheçam o impacto de nossa atividade em suas economias", detalhou Llambias. "Queremos desmascarar os argumentos oficiais de que somos responsáveis pela inflação; vamos mostrar por quanto vendemos cada um dos nossos produtos e quanto os consumidores pagam por eles", afirmou Buzzi.Ele insistiu em esclarecer que a mobilização pretende "facilitar a livre circulação do transporte de alimentos para a população", e evitar que haja desabastecimento, como ocorreu durante os 21 dias de locaute em março. O lema da nova série de protestos do setor será "todos somos o campo". Os líderes afirmaram ainda que o setor continua aberto para a retomada do diálogo com o governo. "Esperamos que coloquem na agenda o problema das retenções móveis (impostos de exportações que variam de acordo com os preços internacionais), porque se esse erro não for corrigido, não haverá uma solução para essa crise", disse Miguens. Buzzi disse esperar que no dia 15, último dia previsto para a mobilização, o governo faça algum gesto para retomar a negociação e discutir uma agenda real que solucione os problemas do principal setor da economia.

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