Protesto de índios não ameaça abastecimento de gás

O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, disse nesta segunda-feira, durante inauguração da primeira planta de gás natural liquefeito (GNL) do País, em Paulínia (SP), que a estatal não prevê risco de desabastecimento de gás natural boliviano em razão do protesto de índios pertencentes à Assembléia do Povo Guarani (APG).Dezenas de índios da APG ocupam, desde a tarde de domingo, uma estação de controle do gasoduto de Transierra - consórcio do qual fazem parte a brasileira Petrobras, a hispano-argentina Repsol-YFP e a francesa TotalFinalElf. O presidente do grupo, Wilson Changarray, ameaça fechar uma válvula, o que pode prejudicar o fornecimento de gás para o Brasil. Pela estação, localizada no sudeste da Bolívia, passam diariamente 11 milhões de metros cúbicos de gás. O APG reivindica o pagamento de US$ 9 milhões, a título de "direito de passagem", como ficou fixado no ano passado."Mesmo em momentos mais críticos, sempre enfatizamos a confiança na continuidade do suprimento", afirmou Gabrielli. Segundo ele, representantes do ministério da Agricultura boliviano se reuniriam com os índios nesta segunda, às 15 horas, para tentar negociar uma retirada do local. "É óbvio que a ocupação não pode permanecer. Isso passa por uma negociação com o conjunto de atores", acrescentou Gabrieli, referindo-se também às empresas que participam do gasoduto de Transierra.Gabrielli disse que a aceleração dos investimentos em infra-estrutura pode ser uma das alternativas para a desocupação da estação de controle do gasoduto. "Isso é uma questão de negociar", afirmou. ReuniãoGabrielli afirmou também que a próxima reunião de representantes da empresa com a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) para discutir o preço do gás natural está marcada para dia 14 de setembro.O executivo mostrou-se irritado com notícias divulgadas recentemente afirmando que a Petrobras já trabalha com a possibilidade de reajuste no preço do gás boliviano. "O grupo que discute preços continua se reunindo. O que se tem de certo é que há duas semanas a YPFB e a Petrobras acordaram em estender a negociação por mais 60 dias e a próxima reunião será em 14 de setembro", enfatizou.O presidente da Petrobras lembrou que a estatal brasileira lançou mão da mesma cláusula do contrato que permite o questionamento da fórmula de preços em 2003. A solicitação de revisão, entretanto, foi recusada pelo comitê gestor. "A Bolívia está fazendo exatamente o mesmo agora." Conforme Gabrielli, os três grupos de discussão das relações entre Brasil e Bolívia - de produção, refino e condições regulatórias - não se reúnem desde junho.

Agencia Estado,

21 de agosto de 2006 | 15h26

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