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Protesto de petroleiros contra leilão de Libra paralisa refinarias e plataformas

Greve de funcionários da Petrobrás atingiu unidades de 16 Estados, mas empresa diz que tomou medidas para que produção não fosse afetada; receio de confusões na segunda-feira, data do leilão, leva governo a preparar megaesquema de segurança

O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2013 | 02h08

Às vésperas do leilão do campo de Libra, a primeira área de petróleo do pré-sal a ser licitada, os ânimos começaram a esquentar. Uma greve convocada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), contrária à licitação, paralisou ontem refinarias, plataformas e centro de distribuições da Petrobrás em 16 Estados. O leilão será realizado na segunda-feira.

"Vamos realizar grandes atos não só no local do evento, como em todo o País", afirmou o diretor da FUP, Francisco José de Oliveira. Segundo ele, a greve está programada para continuar até segunda-feira, mas pode ser estendida.

Na Bacia de Campos, responsável por 80% da produção nacional, 15 plataformas tiveram a produção interrompida, e em outras 24 a empresa acionou equipes de contingência. A Petrobrás informou ter adotado "todas as medidas necessárias para garantir suas operações, de modo a não haver qualquer prejuízo" durante as mobilizações de funcionários grevistas.

Também ontem, integrantes de movimentos sociais e trabalhadores da indústria de petróleo ocuparam a sede do Ministério de Minas e Energia em Brasília para protestar contra o leilão de Libra. Mais de 150 manifestantes, segundo estimativa da Polícia Militar, impediram a entrada de servidores e visitantes. O protesto teve o apoio de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Via Campesina e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Esquema. A preocupação com manifestações agressivas no dia do leilão levou o governo federal a preparar para segunda-feira o maior esquema de segurança já realizado em uma licitação de petróleo no País. Exército, Polícia Federal e Polícia Rodoviária, juntamente com a Guarda Civil e as polícias Civil e Militar do Rio, vão atuar no entorno do hotel onde serão abertos os envelopes com as propostas para exploração de Libra.

Ao todo, serão 1.100 agentes de segurança no entorno do hotel já a partir de domingo. O reforço foi solicitado pelo governo do Rio, após os últimos casos de violência e vandalismo nas manifestações populares da cidade. Fontes do governo avaliam que há risco de infiltração de ativistas de grupos black blocs nos protestos promovidos por sindicalistas e movimentos contrários ao leilão.

A secretaria estadual de Segurança do Rio justificou a solicitação alegando que há um desfalque no contingente da Polícia Militar, por conta das operações em favelas e no policiamento de "pelo menos uma manifestação diária há 90 dias".

A possibilidade de protestos violentos é apontada como uma das razões para o cancelamento da participação da presidente Dilma Rousseff no leilão. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, também não participará. O representante do governo no evento será o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB).

Investimentos. Apesar dos ânimos acirrados, o governo diz não ter dúvidas do sucesso do leilão, que tem um pagamento mínimo de US$ 15 bilhões. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a exploração do campo de Libra vai movimentar investimentos totais de aproximadamente US$ 180 bilhões. Ainda de acordo com o ministro, a combinação do pré-sal, do "ambicioso" programa de concessões em infraestrutura que vem sendo feito pelo governo e das obras tocadas com recursos públicos elevarão a taxa de investimentos do País dos atuais 18% para 24% em 2022. "Seja com investimento público ou privado, elevaremos a taxa de investimento sobre o PIB", afirmou. / ANTÔNIO PITA. ANNE WARTH, LAÍS ALEGRETTI, EDUARDO RODRIGUES E RICARDO DELLA COLETTA

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