Protesto de ruralistas piora cenário argentino

Os produtores rurais da Argentina entraram hoje no sexto dia de protestos, com mais de 60 pontos de concentração em todo o país e deterioração do cenário político e econômico. Os boatos que correm boca-a-boca e pela internet resgatam velhos fantasmas de congelamento de depósitos e corridas pelo dólar. O conflito entre o governo e o setor agropecuário já teria contaminado os mercados.A crise que começou no dia 11 de março, com os ruralistas reclamando contra as retenções móveis (impostos sobre exportações, cuja alíquota varia de acordo com os preços internacionais e pode chegar a até 95%) extrapolou o âmbito agropecuário. Segundo o economista Carlos Melconian, agora "há dois conflitos: o campo e os mercados"."É preciso mudar as expectativas para voltar à prévia situação de estabilidade no país", opinou afirmando que estes assuntos desviam a atenção do verdadeiro problema que afeta a Argentina: "a inflação, a falta de investimentos e a ausência do país no mundo globalizado".Culpas"É preciso encontrar soluções que permitam o bom funcionamento dos mercados e que permitam aos empresários serem empresários, que corram os riscos de preços altos e baixos", afirmou o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), o economista argentino Claudio Loser. Muitas vezes acusado pelos Kirchner de ser um dos responsáveis pela crise de 2001 no país, Loser lembrou que "não podem buscar culpados fora do país porque desta vez não são os anos 90, do neoliberalismo tão odiado pelo governo, ou dos anos 70, da terrível ditadura, ou do FMI; desta vez o problema é a maneira de atuar do governo".Loser afirmou que o governo precisa negociar com o campo e defendeu o setor dizendo que "não é uma oligarquia", pelo contrário, "é o mais produtivo do país".

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