Protesto na USP teve aluno agredido e preso e policial ferido

Um dos confrontos mais intensos aconteceu quando estudantes tentaram quebrar uma grande recém-instalada

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 13h43

SÃO PAULO - O protesto dos estudantes e funcionários da USP terminou com um aluno agredido e preso e um policial militar ferido na testa por uma pedra. Um dos confrontos mais intensos entre a polícia e os manifestantes ocorreu por volta das 11h30, quando os estudantes tentavam quebrar uma grade recém-instalada na Escola de Comunicações e Artes (ECA) que limita a estudantes e funcionários da universidade a entrada no Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e no centro acadêmico da faculdade.

Enquanto os jovens chutavam e jogavam pedras nas grandes, policiais militares chagaram por trás com bombas de efeito moral e gás de pimenta. Alguns estudantes revidaram, ferindo um PM. Ao tentar fugir, um dos manifestantes caiu e, no chão, foi agredido por vários policiais com cassetete. Ele acabou sendo  preso e conduzido ao camburão pelos cabelos.

Outros quatro estudantes também quebraram a porta de vidro de um prédio do banco Santander localizado dentro da universidade, diante da agência do banco. O prédio danificado é cedido pela instituição financeira para a realização de atividades de empreendedorismo dos estudantes.

O confronto entre PM e manifestantes acabou dispersando o protesto, que havia começado por volta das 6h na universidade e durado cinco horas e meia. Às 8h, após concentração na USP, o ato seguiu pela Avenida Vital Brasil e bloqueou o acesso à Avenida Professor Francisco Morato e à Ponte Bernardo Goldfarb, na zona oeste. No local, foi montada uma barricada com pneus queimados, complicando o trânsito na região.

A atendente Cristiane Silva, de 36 anos, bateu boca com os manifestantes ao tentar passar de moto pela calçada no acesso à Avenida Lineu de Paula Machado. “Sou a favor do que eles reivindicam, mas não que tirem meu direito de ir e vir”, disse ela, que havia saído de Taboão da Serra para ir trabalhar no centro de São Paulo.

Era um pouco antes das 10h quando os estudantes  anunciaram, pelo carro de som, que planejavam retornar à USP para encerrar o ato. A tropa de choque, porém, chegou e reprimiu o protesto com jatos de água e bombas de efeito moral. Os estudantes atiraram pedras contra os policiais e também as utilizaram para dificultar a passagem dos veículos de choque. O confronto seguiu pelas ruas do bairro Butantã até os alunos entrarem na USP. Após um intervalo, o enfrentamento foi retomado na ECA.

Além de gritos contra o presidente Michel Temer e contra as reformas tributária e previdenciária, o ato dos estudantes atacou a polícia militar e o reitor da USP, Marco Antonio Zago.

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