Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Protesto no Rio termina em confronto com PM

Manifestação começou com 1 mil pessoas e só terminou com a chegada da tropa de choque; carros de deputados foram depredados

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2017 | 22h44

RIO - Bombas de gás, rojões e pedras marcaram mais uma vez a aprovação de uma proposta de ajuste fiscal na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Por duas horas, PMs tentaram dissipar uma manifestação à base dos artefatos de gás e tiros de balas de borracha, enquanto mascarados revidaram com paus, pedras e rojões. Eles também fizeram barricadas e colocaram fogo em montes de lixo. Não houve registro de feridos, mas pelo menos duas pessoas foram detidas. Os carros oficiais de cinco deputados foram danificados.

O tumulto começou por volta das 15h30. Cerca de mil manifestantes protestavam na Avenida Primeiro de Março, em frente à Alerj. Um locutor anunciou do caminhão de som que a proposta de aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14% fora aprovada e informou que o projeto com a mudança estava em votação.

Parte dos manifestantes se deslocou para ruas laterais da Assembleia, que estava com todos os seus acessos bloqueados. Enquanto agentes da Força Nacional de Segurança permaneciam em frente à entrada principal – o Palácio Tiradentes estava cercado por grades –, agentes do Batalhão de Choque da PM faziam um cordão de isolamento nas vias ao lado.

O grupo que queria entrar na a sede do Legislativo pela lateral foi dispersado pela PM com bombas de gás. Minutos depois, os policiais passaram a disparar as bombas também em frente à Alerj, afastando todos os manifestantes e acabando com o ato.

DEPUTADOS APROVAM AUMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SERVIDORES NO RIO

Quarenta minutos mais tarde, porém, a confusão recomeçou. Manifestantes mascarados e agentes da PM e da Força Nacional de Segurança entraram em confronto. Pouco depois das 17h, um caminhão e um veículo blindado da Tropa de Choque da PM também chegaram ao local, quando finalmente o tumulto foi encerrado.

O gás das bombas se espalhou pelo Centro. Era sentido a pelo menos cinco quadras de onde começaram a ser lançadas. Pessoas que caminhavam pela região buscaram abrigo em estabelecimentos comerciais, que começaram a cerrar suas portas no meio da tarde.

As cenas de confusão tiveram reflexos em outras regiões da capital fluminense. A cidade entrou em estágio de atenção às 16h50. A prefeitura recomendou que a população utilizasse trens e metrôs e evitasse a região central. As avenidas Primeiro de Março, Antônio Carlos e pistas central e lateral da Presidente Vargas e da Rio Branco foram interditadas. O VLT teve sua circulação suspensa. Empresas e repartições públicas liberaram os funcionários mais cedo.

Depredação. De acordo com a Polícia Militar, seis pessoas foram encaminhadas para delegacias da região. Duas delas ficaram detidas, acusadas de ataques contra os policiais durante o protesto. A Alerj, por sua vez, informou que os carros de cinco deputados foram depredados. O veículo da deputada Lucinha (PSDB) teve um vidro quebrado, enquanto os carros dos parlamentares Fatinha (SDD), Zaqueu Teixeira (PDT), Geraldo Pudim (PMDB) e Enfermeira Rejane (PC do B) sofreram avarias leves, como retrovisores quebrados.

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