Protesto reúne mais de 30 mil servidores na Itália

Com salários congelados há dois anos, funcionários fizeram manifestações contra políticas de redução de gastos públicos do governo de Mario Monti

ROMA, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h08

Mais de 30 mil pessoas participaram das manifestações nacionais depois de os dois maiores sindicatos italianos convocarem uma greve geral dos servidores públicos contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo do primeiro-ministro Mario Monti.

Susanna Camusso, líder da central sindical CGIL, disse que a manifestação dos servidores públicos "em toda a Itália tem o objetivo de mudar a lei sobre os gastos públicos e, por isso, não pretendemos nem parar nem se entregar. Continuaremos a nossa iniciativa porque estamos defendendo este país".

As categorias que aderiram à greve são os médicos, funcionários públicos das instituições estatais, das universidades e pesquisas e dos conservatórios. Os salários dos servidores públicos estão congelados há dois anos.

Vários locais turísticos de Roma, como o Coliseu, o Fórum Romano e o Palatino, ficaram fechados em consequência da greve.

Os manifestantes antimedidas de austeridade concentraram-se no coração de Roma empunhando bandeiras e slogans contra as políticas de redução do orçamento do governo.

"Fazem os cortes numa só direção sem descobrirem onde verdadeiramente estão os maiores gastos", disse um sindicalista.

Desde o início do governo de Monti, em novembro de 2011, as políticas de austeridade reduziram a capacidade financeira das famílias e agravaram a recessão com uma taxa de desemprego que atingiu 10,7% em julho, o mais alto desde 2004.

Em agosto, novos cortes nos gastos públicos aumentaram a impopularidade do governo e de suas reformas polêmicas, como a modificação do código do trabalho, o aumento de impostos e a redução das aposentadorias.

A jornada de greve na Itália encerra uma semana marcada por greves e violentos protestos contra as políticas de austeridade na Espanha e na Grécia, além de problemas trabalhistas na siderúrgica Ilva, no sul da Itália. Desde agosto, tem crescido o número de disputas trabalhistas nas indústrias do país. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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