Protestos com vandalismo podem abrir novo mercado para seguradoras

Empresários que tiveram prejuízos buscam informações sobre como precaver-se contra destruição durante manifestações

Gustavo Ferreira e Cley Scholz, do Economia & Negócios,

28 de junho de 2013 | 14h32

SÃO PAULO - Saques e depredações registrados nos protestos dos últimos dias colocaram seguradoras em alerta. A maioria dos contratos de seguridade patrimonial não prevê indenização por perdas causadas por tumultos sociais.

A empresária Evani Lima, de Curitiba, teve seu restaurante invadido e praticamente destruído durante protesto no Centro Cívico na semana passada.

Apesar de estar fechado na passeata no dia 20, vândalos quebraram vidros e pegaram 13 mesas e 40 cadeiras para fazer fogueira no meio da rua.

"Acabei de reformar e ampliar o restaurante", conta a empresária. A parte destruída foi justamente a recém-reformada. "Sou a favor dos protestos, mas o vandalismo prejudica quem não tem nada a ver com os problemas".

A empresária, que ainda não tinha feito seguro da parte ampliada, ainda calcula as perdas. Mas estima ao menos R$ 15 mil de prejuízo.

Em São Paulo, a Prefeitura de São Paulo gastou R$ 260 mil para arrumar estragos em sua sede e na fachada do Theatro Municipal. Como em muitos outros atos de vandalismo em diversas cidades do País, a conta dos danos causados será paga com o dinheiro do contribuinte.

Sono profundo. O coordenador de Produção e Serviços do Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo, Eduardo Sylvestre, comenta que muitos empresários foram pegos desprevenidos, já que há muito tempo o Brasil não via cenas como as que foram vistas nos protestos recentes.

Aos proprietários situados em regiões onde costumam ocorrer manifestações, Sylvestre recomenda: "Se a loja está numa rota de perigo, como a Praça da Sé ou a Avenida Paulista, em São Paulo, quanto mais assegurado for o empresário, melhor".

A demanda pela cobertura de tumultos, na opinião de especialistas, tende a crescer. "A divulgação desses casos despertará a necessidade de atender a esses riscos", diz Luiz Alberto Pomarole, diretor da Confederação Nacional das Empresas de Seguros. "Mas, como os tumultos não vinham acontecendo há anos, não fazia o menor sentido pagar por essa cláusula de cobertura", diz. "Mas isso agora pode mudar."

Como em todas as apólices de seguro, o custo varia de acordo com o tamanho do risco. "Quem faz um seguro faz uma aposta", explica Pomarole. o que significa que o aumento da freqüência dos protestos pode levar a um encarecimento do serviço de proteção financeira.

Os protestos nas ruas rarearam desde o fim da ditadura militar, comenta o diretor da Associação Brasileira de Gerência de Riscos, Antonio Penteado Mendonça. "Até mesmo a chamada 'carteira de tumultos' foi extinta pelas seguradoras, sendo abraça pelo itens 'outros'", explica.

O especialista diz não ter dúvida de que a procura por esse tipo de seguro deve aumentar, mas ele ainda acha cedo para afirmar que o mercado será reativado. "As empresas não vão necessariamente aceitar cobrir esses riscos", afirma. "As perdas financeiras para as seguradoras podem ser muito grandes para reativar essa fatia adormecida do segmento".

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