Protestos contra cortes tomam conta da Espanha

Parlamento espanhol aprova plano de austeridade de 65 bilhões e população faz manifestações, dispersadas com balas de borracha

MADRI, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h08

O Parlamento espanhol aprovou ontem cortes de 65 bilhões a serem implementados no decorrer dos próximos dois anos e meio. Pouco depois da aprovação, milhares de pessoas tomaram as ruas de mais de 80 cidades, incluindo Madri, em protesto contra o pacote.

Ontem à noite, a tropa de choque da polícia madrilenha disparou balas de borracha para dispersar uma multidão Além das balas de borracha, os policiais também usaram cassetetes contra os manifestantes reunidos na Porta do Sol, uma imensa praça situada no coração de Madri.

O programa de austeridade aprovado prevê cortes nos salários dos funcionários públicos e a elevação do imposto sobre valor agregado, entre outras medidas. Trata-se do maior corte no orçamento desde o restabelecimento da democracia na Espanha, no fim da década de 1970.

Dos 312 votos contabilizados, 180 deputados votaram a favor e 131 contra. Houve uma abstenção. O primeiro-ministro Mariano Rajoy contou somente com os votos de seu Partido Popular, que dispõe de maioria no Parlamento, para aprovar as impopulares medidas de austeridade, informou o jornal El País.

Protestos contra os cortes de despesas governamentais têm ocorrido quase diariamente na Espanha. Segundo a agência de notícias Reuters, o Parlamento espanhol ficou praticamente cercado por manifestantes há pelo menos uma semana. Organizações sindicais convocaram manifestações em mais de 80 cidades espanholas, reunindo trabalhadores e artistas para ruidosos protestos contra o governo.

Juros. No meio da turbulência, o Tesouro espanhol vendeu um pouco menos do que o pretendido no leilão de bônus realizado e teve de oferecer yields (retorno ao investidor) mais altos pelos papéis. No total, a Espanha vendeu 2,981 bilhões (US$ 3,658 bilhões) em bônus, perto do teto da faixa pretendida, que ia de 2,0 bilhões a 3,0 bilhões.

Foram vendidos 1,359 bilhão em bônus de dois anos, com yield médio de 5,204%, acima de 4,483% no leilão anterior; 1,074 bilhão em bônus de cinco anos, com yield médio de 6,459%, em comparação com os 6,072% anteriores; e 548 milhões em bônus de sete anos, com yield médio de 6,701%, de 4,832% antes.

A demanda atraída pelo leilão, medida pela relação entre ofertas feitas e aceitas (bid-to-cover), caiu de 4,26 para 1,90 nos papéis de dois anos; de 3,44 para 2,06 nos de cinco anos; e de 3,27 para 2,94 nos de sete anos.

Fundo. Num sinal de ajuda para a economia espanhola, o Parlamento da Alemanha aprovou por ampla maioria o mais recente plano de resgate europeu, o pacote de ajuda da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) para os bancos da Espanha que enfrentam uma grave crise em consequência do colapso do setor imobiliário seguido por um salto na inadimplência.

Apesar da crescente oposição pública aos resgates na zona do euro, 473 parlamentares alemães votaram a favor da assistência de até 100 bilhões aos bancos espanhóis, enquanto 97 votaram contra. Os integrantes da coalizão de governo da chanceler Angela Merkel deram 301 votos favoráveis, o que significa que não seria necessário um apoio da oposição para a aprovação do pacote.

O aval do Parlamento alemão, porém, não diminui o nervosismo dos investidores com a recuperação econômica da Espanha e a capacidade do governo espanhol de reestruturar os bancos do país, já que o custo de financiamento do governo da Espanha subiu. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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