Protestos diminuem no dia de votação da reforma

As expectativas de uma sexta-feira repleta de manifestações na França, com o objetivo de pressionar os senadores reunidos no Palácio de Luxemburgo, não se confirmaram. No dia da votação da reforma da previdência, trabalhadores recolheram as bandeiras e estudantes partiram em férias de duas semanas. Apenas os petroleiros mantiveram a greve, que ainda leva ao desabastecimento 20% dos postos de combustíveis do país.

, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2010 | 00h00

O único confronto entre a polícia e os manifestantes ocorreu na refinaria de Grandpuits, nas imediações de Paris. A usina, bloqueada há três semanas, foi objeto de requisição judicial pelo governo, que obrigou funcionários a retornarem ao trabalho, sob pena de serem condenados a seis meses de prisão e a multas de ? 10 mil. A medida foi comunicada aos grevistas às 3h, mas a polícia só procedeu a liberação da fábrica no meio da manhã.

Indignados, os trabalhadores resistiram e houve empurra-empurra. Pelo menos, três pessoas sofreram ferimentos leves. "Cada grevista é ameaçado de prisão porque estamos em greve!", protestou Charles Foulard, da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e membro do grupo petroleiro Total. "Essa é a repressão que Sarkozy deseja, enquanto nós queremos apenas negociações sobre a reforma."

A usina de Grandpuits foi requisitada pelo governo por seu caráter estratégico. A refinaria produz e armazenava ontem 22 mil metros cúbicos de combustível que poderiam ser distribuídos na região parisiense, uma das mais afetadas pela falta de gasolina e óleo diesel. O desbloqueio, entretanto, ainda era questionado na Justiça na noite de ontem.

De 12 refinarias, 8 seguem improdutivas, assim como 14 dos mais de 200 depósitos de combustíveis. "Dos 12.311 postos, 3.190 se declaram vazios e esperam suprimento", disse o ministro do Meio Ambiente, Jean-Louis Borloo. "Outros 1,7 mil enfrentam dificuldades em um dos produtos e serão supridos."

Além das greves de petroleiros, os trabalhadores seguem de braços cruzados nos portos, entre os quais o de Marselha, o maior do país. Nos transportes, 80% dos trens de alta velocidade (TGVs) circularam ontem, no início das férias. A perspectiva é de que 90% rodem hoje.

No meio estudantil, uma passeata surpresa foi realizada por alunos secundaristas, em Paris. O número de escolas bloqueadas, que chegou a 300 na quinta-feira, caiu para 185 ontem.

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