Protestos gerais hoje na Argentina

Desempregados, sindicalistas, poupadores, correntistas se encontrarão hoje em um dia de protestos com panelaços, bloqueios de ruas, rodovias e pontes, e manifestações que prometem transformar esta quarta-feira num palco de reclamações e queixas contra o governo, o "corralito", o desemprego, a fome e a miséria. O dia será complicado na Argentina, principalmente depois da ameaça do governo de reprimir os protestos. Na Capital Federal, a situação poderá ser mais complicada porque reunirá todas as passeatas e protestos espalhados pela cidade em uma concentração na Praça de Maio. Hoje, completam-se dois meses do violento protesto popular que derrubou o governo de Fernando de la Rúa. Um fator a mais de preocupação do governo porque a movimentação de hoje coloca o presidente Eduardo Duhalde em máximo estado de alerta.O Bloco Piqueteiro Nacional, formado por desempregados sem nenhuma liderança política ou sindical, realizará uma passeata por diferentes edifícios públicos e de empresas privatizadas de serviços para, depois, às 18 horas, concentrar-se na Praça de Maio junto com o panelaço organizado pelas assembléias dos bairros portenhos e da grande Buenos Aires. A passeata percorrerá o centro e o micro-centro de Buenos Aires, região das principais agências bancárias, onde se encontrarão com os poupadores, correntistas e aplicadores que tiveram seus depósitos congelados. O governo teme por este encontro devido ao alto grau de violência dos últimos protestos dos depositantes que terminaram com bancos destruídos pela fúria popular.A CTA (Confederação de Trabalhadores Argentinos) e a CCC (Corrente Classista e Combativa), outro grupo de piqueteiros (desempregados), só que mais político e sindicalizado que o Bloco Nacional de Piqueteiros, farão um protesto em frente ao Congresso Nacional, a partir das 13 horas, contra o orçamento de 2202.RodoviasOs dois grupos de piqueteiros anunciaram o bloqueio de importantes rodovias, avenidas e pontes de acesso à Buenos Aires a partir das 10 horas da manhã. Estão programados bloqueios estratégicos em La Plata , capital da província de Buenos Aires, nas províncias de Neuquén, Salta, Jujuy, Tucumán, Chaco e na cidade de Mar del Plata.Fontes do governo informaram à Agência Estado que a ordem é colocar a polícia federal em estado de guarda para prevenir incidentes. Porém, o porta-voz da Presidência, Eduardo Amadeo, disse claramente, ontem, que o governo poderá reprimir os protestos.ReivindicaçõesAs reivindicações são variadas: criação de postos de trabalho; entrega de alimentos; fim do "corralito" com a devolução em dólares dos depósitos feitos nesta moeda; um orçamento que contemple as áreas de saúde e educação com cortes de gastos públicos desnecessários e recomposição dos salários do funcionalismo, aposentados e pensionistas que foram reduzidos no ano passado; e a destituição dos juízes da Suprema Corte de Justiça e "eleições diretas já", não só para presidente mas para todo o Congresso Nacional.Leia o especial

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