Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Protestos ocorrem em 23 Estados e no DF

Atos contra a terceirização incluem bloqueio de rodovias e paralisação de serviços

O Estado de S. Paulo

15 Abril 2015 | 21h51

Centrais sindicais realizaram nesta quarta-feira manifestações em 23 Estados e no Distrito Federal contra o projeto de lei que regulamenta a terceirização. Os protestos espalhados pelo País incluíram bloqueio de rodovias e paralisação de atividades em fábricas e no serviço público.

Em São Paulo, vias importantes de acesso à capital paulista foram bloqueadas totalmente ou parcialmente logo pela manhã. Durante a tarde, sindicalistas liderados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) se reuniram em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na Avenida Paulista. O presidente da entidade Paulo Skaf é um dos apoiadores da medida. Um trecho da Paulista, no sentido Paraíso, chegou a ser interditado pela Polícia Militar.

No ato, Paulo Skaf, e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foram os principais alvos dos discursos dos sindicalistas. “Esse projeto significa o fim da CLT”, firmou Vagner Freitas, presidente da CUT Nacional. Segundo Freitas, novas manifestações devem ser programadas para Brasília. “Eu espero que o ditador de plantão do Brasil, o Eduardo Cunha, não feche a porta da casa do povo. No limite nós vamos pedir o veto da presidente Dilma e faremos uma greve geral no Brasil para derrotar os patrões”, disse.

No interior do Estado, as manifestações atingiram 11 cidades. Em Sorocaba, o transporte urbano ficou paralisado até as 10 horas da manhã e mais de 100 mil pessoas ficaram sem condução.

Em Campinas, 100 manifestantes, segundo a PM, bloquearam os acessos da Unicamp, com apoio de parte dos estudantes e professores. Em Indaiatuba, cerca de 2,1 mil trabalhadores entraram em greve na fábrica da Toyota. Na Honda, em Sumaré, 3,4 mil trabalhadores pararam, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. Em Paulínia, manifestantes bloquearam a entrada da Refinaria Planalto (Replan) da Petrobrás.

Em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, motoristas e cobradores de ônibus da Carris, a companhia municipal, pararam as atividades. O Trensurb, que liga a capital a cidades da região metropolitana, também ficou inoperante.

Em Salvador, Bahia, a movimentação começou logo cedo, com os rodoviários que permaneceram nas garagens por quatro horas e iniciaram as atividades por volta das 8 horas. O resultado foi a aglomeração de passageiros nos pontos do transporte coletivo. A situação só foi normalizada no fim da manhã.

No centro do Rio de Janeiro, cerca de mil pessoas participaram da manifestação. O protesto uniu centrais sindicais, militantes de partidos políticos e movimentos sociais.

A Polícia Militar precisou fazer dois cordões de isolamento e destacar quatro carros para proteger a porta da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), para onde os manifestantes marcharam.

Em meio ao protesto, manifestantes passaram “por cima do cadáver” do presidente da Câmara. A ideia foi da psicóloga Eliana Martins, de 55 anos. “Ele não disse que só passariam leis como a do aborto por cima do cadáver dele? É o que estamos fazendo”, afirmou. Eliana fez um crânio de isopor e o colocou sob uma cruz com a expressão “aqui jaz Eduardo Cunha”.

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, cerca de 150 pessoas protestaram na Praça Maria da Penha, segundo a Polícia Militar. Ao longo do dia, categorias de trabalhadores realizaram manifestações em Betim, Contagem, ambas cidades da Grande Belo Horizonte, e na capital. 

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