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Protestos tendem a pressionar taxa de retorno das concessões

Pressão da inflação, alta da Selic e aumento do risco regulatório criado por manifestações afetam a proposta do governo

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 02h16

A concessão de 7,5 mil quilômetros de rodovias que vão a leilão, possivelmente em setembro deste ano, é considerada uma espécie de tábua de salvação para uma retomada mais consistente do crescimento econômico. Pelo menos R$ 30 bilhões terão de ser investidos ao longo de 25 anos nos trechos previstos. É dinheiro para a economia real que pode impulsionar o PIB.

Se for bem-sucedida, além de poder resgatar a confiança do setor privado e reativar os investimentos, tanto com capital nacional quanto estrangeiro, vai melhorar a infraestrutura de transporte e contribuir para desafogar a logística. É o melhor dos mundos. Consciente de que de as concessões das rodovias podem inaugurar um novo ciclo de investimentos, o governo reviu, em maio, o valor da taxa interna de retorno, que remunera os investidores, de 5,5% para 7,2%.

Ocorre que, de lá para cá, o cenário econômico tomou outro rumo, alterando parte dos indicadores que são levados em consideração pelos investidores. Inflação, taxa de juros e câmbio estão pressionados, o que pode exigir uma nova revisão. "A situação econômica mudou e os custos financeiros estão mudando junto", diz Moacyr Duarte, presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias.

A taxa de retorno, no entanto, também embute riscos inerentes ao negócio - quanto maior o risco, maior o retorno esperado. Os investidores já estavam preocupados com a posição do governo do Rio Grande do Sul, que encerrou contratos e retomou praças de pedágio no Estado. Na semana que passou, o risco ganhou um elemento adicional: os protestos populares contra os reajustes da tarifas de ônibus, seguidos da suspensão dos mesmos aumentos. Na avaliação de Duarte, se a pressão popular persistir até a data das concessões, no segundo semestre, os investidores vão precificá-la como risco regulatório, o que exigirá nova revisão da taxa de retorno.

O economista Fabio Giambiagi considera natural que as manifestações tenham elevado a percepção de risco nos negócios que são regulados por União, Estados e municípios. "Coloque-se no lugar dos investidores: amanhã, a sua praça de pedágio pode ser cercada de manifestantes e o governo, cedendo a pressões, rever o valor do pedágio", diz Giambiagi. "Sem entrar no mérito do valor que as manifestações têm para o País, a reação do poder público foi a pior possível: a racionalidade econômica saiu de férias."

Enquanto isso, o investimento continua a minguar, reforçando a perspectiva de retração de crescimento para este ano. Na média, a projeção do mercado é que o investimento estrangeiro direto (IDE), voltado para a produção, fique abaixo de US$ 60 bilhões em 2013. Em maio, totalizou US$ 3,9 bilhões, uma retração de 8% ante igual período de 2012.

Em relatório, o Itaú Unibanco chama a atenção para o movimento oposto: a aceleração da remessa de lucros e dividendos. US$ 1,4 bilhão foi remetido até o dia 20, segundo o Banco Central, e mais US$ 1 bilhão até o fim do mês, quando a volatilidade se acentuou.

Enquanto a oferta de dólares segue minguando, o déficit em transações correntes alcançou US$ 6,4 bilhões em maio. Desta maneira, o déficit em transações fica em 3,2% do PIB em 12 meses. / A.S.

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