Protestos unem classe média e desempregados na Argentina

Enfurecidos com o aumento desenfreado do desemprego, o crescimento da pobreza ? que quase engloba metade da população - a disparada dos preços dos alimentos da cesta básica e o ?corralito?, como é conhecido o semicongelamento de depósitos bancários, milhares de desempregados e integrantes da falida classe média argentina protestaram nas ruas das principais cidades do país.Os protestos, que incluíram um ?abraço? simbólico no Congresso Nacional e piquetes nas estradas de acesso à capital argentina, coincidiram com a comemoração dos dois meses da queda do governo do ex?presidente Fernando De la Rúa (1999-2001), quando se iniciaram os ?panelaços? populares.OrçamentoNo fim da tarde desta quarta-feira, milhares de desempregados e moradores dos bairros portenhos concentraram-se na praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, para protestar contra a política econômica do governo do presidente Eduardo Duhalde. Os protestos também foram dirigidos contra a Câmara de Deputados, que nesta quinta-feira começaria a debater o projeto de Orçamento Nacional.O projeto é impopular, pois prevê uma série de cortes orçamentários que poderiam agravar a crise social que assola a Argentina. As diversas organizações de piqueteiros prometeram ?não dar trégua? ao governo Duhalde até que ele retire o projeto de Orçamento.DesempregoOs protestos tiveram como cenário de fundo o aumento do desemprego, que sucessivos governos não conseguiram deter ao longo da última década, mas que disparou principalmente nos últimos meses. Em janeiro, segundo o governo, nas cidades mais habitadas do país foram eliminados 30 mil postos de trabalho. Em todo o país o número subiria para 50 mil postos desaparecidos.O desemprego atingiria 22% dos argentinos. O desaparecimento dos postos de trabalho coincide com a queda de 18% na produção industrial de janeiro, em comparação com o mesmo mês do ano passado, além de uma redução na arrecadação tributária, prevista em 15% para fevereiro.Custo de vidaO vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, admitiu diante de uma comissão parlamentar que, desde outubro, o número de ?novos? pobres e indigentes aumentou em 1,4 milhão de pessoas, que se somam aos 10 milhões já existentes. ?Do total de argentinos, 47% são pobres ou indigentes?, disse.Enquanto isso, o custo de vida dos argentinos continua a escalada registrada nas últimas semanas. Segundo diversas associações de defesa do consumidor, os preços dos alimentos aumentaram em até 30%. O ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, admitiu que na primeira metade de fevereiro já houve uma inflação de 2,3%.Com o desemprego, a pobreza e o aumento do custo de vida existem cada vez menos argentinos que conseguem pagar seus encargos sociais. Segundo dados do governo, somente 25% dos trabalhadores os está pagando regularmente. Desta forma, 75% dos trabalhadores argentinos correm o risco de ficar sem aposentadoria em sua velhice.

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