Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Protestos terminam com atos de vandalismo

No Rio e em São Paulo, manifestantes depredaram bancos e incendiaram ônibus

BRUNO RIBEIRO, DOUGLAS GAVRAS, FÁBIO GRELLET, MARCIO DOLZAN E ROBERTA PENNAFORT, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 22h36

Os protestos contra as reformas previdenciária e trabalhista ganharam tons de confronto, com atos de vandalismo, no início da noite. Em São Paulo, a manifestação teve início no Largo da Batata, na região de Pinheiros. De lá, os manifestantes seguiram em passeata até a casa do presidente Michel Temer, no Alto de Pinheiros, onde uma barreira policial estava montada. No centro do Rio, houve um grande conflito entre manifestantes e a polícia.

Em São Paulo, black blocs entraram no meio da passeata, na altura da Avenida Pedroso de Moraes, e jogaram pedras em quatro agências bancárias e em uma concessionária da Audi. Muita gente saiu correndo, mas a PM estava distante para intervir. Manifestantes mais assustados apertaram o passo para chegar perto da liderança organizada, mas houve quem também aplaudisse o ato.

Perto da casa de Temer, grevistas atearam fogo em um canteiro, gritando palavras de ordem. Os manifestantes estavam armados com pedras e pedaços de pau. Para dispersar a manifestação, a PM utilizou jatos de água, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Rio. No Rio, um confronto de grandes proporções entre policiais e manifestantes mascarados na Cinelândia marcou o fim da greve. As confusões começaram após as 16h, perto da Assembleia Legislativa, se espalharam pelas vias próximas, chegaram às Avenidas Rio Branco e Presidente Vargas e se prolongaram em outros pontos até a noite. Pelo menos nove ônibus, segundo a Rio-ônibus, foram incendiados, além de uma picape.

Algumas agências bancárias foram depredadas pelos manifestantes. Elas estavam cobertas por tapumes, que foram arrancados e incendiados. Os vidros foram destruídos. Mais cedo, houve confrontos entre sindicalistas e taxistas no Aeroporto Santos Dumont, e entre ativistas e policiais militares, perto da Rodoviária Novo Rio.

No início da noite, os ativistas se concentraram na Cinelândia, para um ato conjunto das centrais sindicais. A manifestação começou, mas, enquanto sindicalistas discursavam, jovens mascarados destruíam orelhões e ateavam fogo a lixo, além de atacar equipamentos públicos. Logo a Polícia Militar avançou, jogando bombas de gás, e dispersou o protesto. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) criticou a “violenta ação da Polícia Militar contra milhares de manifestantes”.

O maestro Isaac Karabtchevsky e 63 músicos da Orquestra Sinfônica Petrobrás faziam um ensaio acústico na Sala Cecília Meirelles quando foram avisados de que um ônibus estava sendo incendiado em frente à sala de concertos.

“Fomos surpreendidos pelos ônibus queimados. Tomei a decisão, junto com a decisão da Sala Cecília Meirelles, de cancelar o espetáculo. A apresentação será amanhã (hoje); espero que até lá não haja mais esses tumultos”, disse Karabtchevsky.

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