Província apóia ambientalistas no conflito das papeleiras

Apesar de alguns gestos de reaproximação entre os governos dos presidentes Tabaré Vázquez, do Uruguai, e Néstor Kirchner, da Argentina, no conflito sobre as fábricas de celulose, a província de Entre Ríos tomou uma decisão em direção oposta. O governador da província, Jorge Busti, impulsionou a aprovação de seu projeto de lei que proíbe a venda de madeira local para as plantas de celulose que estão sendo instaladas no Uruguai.A Assembléia Legislativa de Entre Ríos aprovou, por unanimidade, o projeto reivindicado pelos ambientalistas da cidade argentina de Gualeyguachú. A finlandesa Botnia, que pretende instalar uma papeleira no Uruguai, já declarou que não necessita da madeira dessa província e que a comprará no Brasil.Pela Constituição argentina, somente o Congresso Nacional tem poder para aprovar uma lei que restringe o comércio exterior. Portanto, a lei de Busti não tem muitas chances de ser cumprida, embora o governador tenha anunciado nesta quinta-feira que vai sancioná-la. Mas cria um clima negativo contra as negociações entre os dois países.Na chancelaria argentina, a medida de Busti criou mal estar, devido "ao início de aproximação que estamos tendo com o Uruguai para tentar solucionar esse conflito", explicou uma fonte diplomática. No dia 18 de março haverá eleições para governador na província de Entre Ríos. O candidato de Busti é apoiado pelo presidente Kirchner e "qualquer medida contra o governador nesse momento poderia prejudicar os resultados eleitorais", explicou.Planos brasileirosAlém da preocupação de evitar novos ingredientes capazes de azedar as tentativas de uma aproximação entre a Argentina e o Uruguai, na chancelaria comenta-se sobre os planos da Votorantim Celulose e Papel, que poderiam resultar em uma nova "guerra das papeleiras", mas desta vez com o Brasil. A empresa já apresentou um projeto ao governo brasileiro solicitando autorização para construir uma planta de celulose no estado do Rio Grande do Sul, fronteira com a província argentina de Misiones. O projeto envolverá um investimento de US$ 1,3 bi.

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