Paulo Vitor/Estadão
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Provisão contra calote dispara e BNDES tem prejuízo de R$ 2,2 bi no 1º semestre

Banco aumentou a despesa com provisão para risco de crédito para R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre do ano, um salto de 824,4% em relação a 2015; este é o primeiro prejuízo desde 2003

Daniela Amorim e Sandra Manfrini, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2016 | 10h43

BRASÍLIA - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou um prejuízo líquido de R$ 2,174 bilhões no primeiro semestre deste ano. O resultado foi impactado, principalmente, por maiores despesas com provisões. Em igual período do ano passado, o Sistema, que, além do BNDES, inclui a Finame e a BNDESPAR, havia registrado lucro líquido de R$ 3,514 bilhões. O balanço patrimonial do BNDES foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 12. Este é o primeiro prejuízo do banco de fomento desde o período de janeiro a junho de 2003, quando a perda foi de R$ 2,4 bilhões.

O banco aumentou a despesa com provisão para risco de crédito para R$ 4,438 bilhões no primeiro semestre do ano, ante R$ 480 milhões no mesmo período de 2015, um salto de 824,4%. No segundo semestre do ano passado, esse montante foi de R$ 988 milhões.

A elevação foi provocada "por importantes ajustes de classificação de risco na carteira de crédito e repasses, refletindo o cenário econômico brasileiro desfavorável nos primeiros seis meses deste ano", justificou o banco, em nota. 

Segundo avaliação do comitê de auditoria, em nota publicada no balanço, a perspectiva é de que, até o final do exercício, esse resultado negativo seja revertido.

A carteira de crédito e repasses do BNDES teve 97,7% de suas operações classificadas entre os níveis AA e C no primeiro semestre, e atingiu R$ 646,924 bilhões no primeiro semestre do ano, uma redução de R$ 48,454 bilhões em relação a dezembro de 2015, o equivalente a uma queda de 7,0%. 

O resultado foi influenciado pelo efeito da depreciação do dólar na parcela em moeda estrangeira e pela redução da parcela em moeda nacional, impactada pelo fim do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), em dezembro de 2015, informou o BNDES, em nota.

Já a carteira de participações societárias alcançou R$ 58,797 bilhões no primeiro semestre de 2016, um crescimento de 12,2% em relação a 31 de dezembro de 2015. A alta foi provocada pela valorização em R$ 8,438 bilhões da carteira de participações, "notadamente em ações de Petrobrás, Eletrobras e Vale".

Inadimplência. A inadimplência cresceu, embora mantenha-se em patamar considerado baixo pelo banco. O índice referente a 30 dias alcançou 1,38% em 30 de junho deste ano, ante o resultado de apenas 0,02% registrado pelo Sistema BNDES em dezembro de 2015. 

Segundo o banco de fomento, o produto de intermediação financeira compensou o impacto negativo das provisões em 2016, alcançando R$ 12,235 bilhões nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 25,2% em relação a igual período de 2015 e de 17,7% em relação ao segundo semestre do ano passado. 

"O resultado foi devido à combinação de dois fatores: volume elevado de amortizações dos financiamentos concedidos, sem que, em paralelo, houvesse aumento de desembolsos. Os recursos não aplicados na carteira de crédito foram migrados para a carteira de tesouraria", explico o BNDES, em nota. 

Tesouro. O BNDES recebeu, no primeiro semestre deste ano, R$ 7,388 bilhões do Tesouro Nacional referente a equalizações relativas ao período de 2013 ao segundo semestre de 2015. Desse total, R$ 3,4 bilhões foram recebidos pelo BNDES e R$ 4 bilhões pela Finame. 

O documento destaca ainda que, como evento subsequente, em julho de 2016, foram pagos R$ 5,7 bilhões adicionais pelo Tesouro, sendo R$ 1,8 bilhão para o BNDES e R$ 3,9 bilhões para a Finame. No ano passado, esses recebimentos somaram R$ 30,6 bilhões, sendo R$ 8,6 bilhões pelo BNDES e R$ 22 bilhões pela Finame. 

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