Próximas quedas da Selic serão menores, prevê Langoni

A redução pelo Copom de 2,5% na taxa básica de juros (a Selic) pode significar que, daqui para a frente, a autoridade monetária poderá decidir-se por quedas menores, na opinião do economista Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central, e atual diretor do Centro de Economia da FGV-Rio. "Eu acho até que o Banco Central talvez tenha antecipado para este mês, cortes que ele iria realizar de qualquer forma, por exemplo, em setembro e outubro", disse Langoni em sua entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News. Ele acrescentou que, por isso, acredita que os próximos cortes devem continuar, mas em percentuais menores que o decidido ontem, para chegar ao final do ano com uma taxa em torno de 19%, o que ainda deve manter a taxa de juros reais na faixa de dois dígitos. "Mas é o caminho de uma redução gradual e segura, acompanhando inclusive as expectativas em relação ao risco País e ao próprio comportamento da inflação."Efeitos da antecipaçãoLangoni considerou que um dos efeitos positivos deste corte antecipado da Selic incidirá sobre as contas públicas, o que possibilitará nos próximos meses uma redução expressiva no serviço da dívida da União, colaborando assim para o ajuste fiscal. Sobre a economia de uma forma geral, disse que os resultados vão ser lentos. "Espetáculo do crescimento, na minha opinião, só a partir do ano que vem, porque além de os juros reais terem de cair de forma mais expressiva, é necessária uma recuperação dos níveis de renda real, que vêm em queda muito preocupante."Previsão de crescimentoO economista Walter Brasil Mundell, vice-presidente de Investimentos do grupo Sulamérica, também ouvido no programa, prevê uma ligeira recuperação econômica no último trimestre do ano, e disse acreditar que, em 2004, o PIB deverá crescer entre 3% e 3,5%. "Eu acho que não há espaço para o Brasil crescer muito mais do que isso. Há uma série de gargalos na área de infraestrutura, como energia elétrica, estradas, portos etc. E essa questão é o próximo ponto que o governo deve procurar equacionar."Reforma fiscalMundell insistiu, também, na necessidade de o governo fazer uma reforma fiscal que atenda minimamente aos anseios do setor produtivo, como a diminuição da carga de impostos e a criação de mais facilidades para os investimentos, principalmente os voltados para a expansão da capacidade produtiva e os que reduzam os gargalos na infraestrutura.

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