Próximas semanas serão de inquietação, diz especialista

A realização do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e José Serra, do PSDB, vai fazer com que os mercados brasileiros enfrentem pelo menos mais três semanas de volatilidade. A avaliação é de Francisco Panniza, professor da London School of Economics e um dos mais importantes especialistas em América Latina da Grã-Bretanha. Segundo ele, a reação inicial dos investidores deverá ser positiva, mas isso não se sustenta por muito tempo. "Do ponto de vista dos mercados, a ida de Serra ao segundo turno será bem recebida, mas essa reação deverá ser de muito curto prazo", disse à Agência Estado Panizza. "Logo as novas pesquisas vão mostrar que a distância entre Lula e Serra é muito grande, e as incertezas sobre a transição vão voltar a emergir." Para Panniza, se Lula tivesse vencido no primeiro turno o impacto teria sido mais positivo nos mercados. "Se eu fosse um investidor, tendo em conta a enorme distância entre o Lula e o Serra, teria preferido que a eleição já tivesse terminado ontem, seria um alívio", afirmou Panizza. "Já estaríamos falando agora da transição, de medidas concretas, mas vamos enfrentar mais um período de incertezas." Ele salientou, no entanto, que a volatilidade nas próximas semanas não deverá ser extrema "pois a vitória de Lula já foi amplamente precificada pelos mercados".Panizza observou que, "sob o ponto de vista da democracia", as eleições brasileiras foram muito positivas para o Brasil e também para toda a América Latina. "O processo eleitoral brasileiro mostra uma democracia consolidada, um processo eleitoral sem maiores problemas, com candidatos responsáveis e que promoveram um debate interessante", disse Panizza. "Qualquer dos dois candidatos, Lula e Serra, são pessoas sérias e esperamos ver agora no segundo turno um debate de idéias e posições mais aprofundado, o que enriquecerá ainda mais o processo democrático brasileiro."

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