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Próximo governo poderá alongar a dívida, diz Fraga

O governo está de fato encurtando os prazos da dívida pública, depois de um trabalhoso processo de alongamento que foi feito desde 1999, disse hoje, em entrevista ao Estado, o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga. Ele reiterou, porém, que espera que este encurtamento seja apenas parcial, e não signifique um recuo em relação ao que foi conquistado nos últimos anos. "No momento, estamos devolvendo um pouco do alongamento, em função da insegurança que reina", disse Fraga. Ele revelou ainda que o governo estuda a possibilidade de estender às seguradoras o tipo de mudança regulatória que foi feito no fundos do pensão, levando-os a casar os passivos (de longo prazo) com os ativos, o que pode aumentar a demanda por aplicações mais longas, ajudando a alongar a dívida pública. Para o presidente do BC, "o próximo governo, ao chegar, ou antes de tomar posse, tem todas as condições de acalmar as expectativas, e retomar o alongamento da dívida". Ele acha que o próximo presidente terá todos os incentivos para ter uma política econômica responsável e transparente, já que estará herdando uma série da ajustes: fiscal, bancário, cambial e de tarifas públicas. Quanto à herança de uma dívida pública líqüida de 55% do PIB, Fraga diz que "sem a ansiedade em relação ao futuro não é nenhum grande problema; é algo que requer prudência e coerência na gestão macroeconômica, mas não passa disso". Armínio Fraga reconheceu que, "se pudesse voltar atrás", teria feito a "marcação a mercado" dos fundos de renda fixa - obrigando-os a contabilizar as cotas diariamente levando em conta o valor de mercado dos papéis - antes. "Mas, uma vez que se decidiu antecipar, não poderíamos esperar três ou cinco dias, senão haveria uma corrida", completou Fraga. O presidente do BC procurou demonstrar naturalidade com as críticas de setores do mercado ao banco. "Quando as coisas, vão mal, é normal que muitas pessoas digam que o nosso desempenho é abaixo da crítica, mas devemos também ter o cuidado de manter a cabeça fria, e continuar a fazer as coisas de forma responsável e consistente?, afirmou. Fraga também se defendeu da crítica de que o governo colocou um excesso de títulos de longo prazo, basicamente LFTs, no mercado, e que isto levou a uma depreciação destes papéis que impôs pesadas perdas e assustou os investidores. "A história correta é simples. Ano passado, nós fizemos duas coisas. Nós alongamos muito e, no momento da crise de outubro, tiramos liquidez do mercado, colocamos muitos papéis. Ficamos na posição que, no jargão do mercado, se chama de ´oversold´. Esta posição foi sendo reduzida, e no momento de lançamento do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP), nós já estávamos ?undersold?, isto é, havia muita liqüidez no mercado", explicou o presidente do BC. O BC, segundo Fraga, achou adequado entrar na fase inicial do SBP com um colchão de liquidez. "Havia uma tendência ao empoçamento, e esta liquidez ajudou a lubrificar as engrenagens do sistema. Este ano, fizemos um resgate líquido de R$ 23 bilhões em LFT. Agora, o que basicamente explica o nervosismo que está acontecendo agora é diferente. É o fato de que houve uma virada das expectativas em relação ao Brasil, que eram bastante otimistas e ficaram pessimistas", disse.

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