Próximos testes de estresse dos bancos serão melhores, diz comissário europeu

Michel Barnier lembrou que os testes de estresse dos bancos da região feitos anteriormente  não identificaram problemas nos bancos irlandeses

Renato Martins, da Agência Estado,

25 de janeiro de 2011 | 15h11

O comissário europeu para regulamentação de Mercados Internos e Serviços Financeiros, Michel Barnier, disse que os próximos testes de estresse dos bancos da região precisarão ser melhores do que os anteriores, que foram muito criticados por não terem identificado problemas nos bancos irlandeses.

Segundo Barnier, os próximos testes deverão examinar a exposição das instituições a dívidas soberanas e poderão incluir uma avaliação "paralela" sobre taxas de liquidez. Ele não deixou claro se é a favor de testar a capacidade dos bancos de resistir ao default da dívida de algum país integrante da zona do euro.

"Vamos olhar tecnicamente se poderemos examinar mais profundamente a questão da dívida soberana", disse Barnier em audiência no Senado francês.

Segundo ele, 85 bancos serão submetidos à próxima rodada de testes de estresse, o mesmo número da rodada anterior.

Em Bruxelas, o escritório do comissário de Assuntos Monetários da União Europeia, Olli Rehn, afirmou que a UE não planeja incluir alavancagem entre os critérios dos próximos testes de estresse, embora economistas venham advertindo que as instituições financeiras da zona do euro devem mais hoje do que antes da crise, em contraste com as norte-americanas.

"No exercício europeu, nós focalizamos até agora os riscos de crédito e os riscos de mercado, para avaliar a solvência dos bancos, disse um porta-voz de Rehn. "Nós não testamos alavancagem. Testamos a capacidade de resistência do setor bancário. Em alguns casos, os resultados podem indicar uma necessidade de recapitalização mais ou menos urgente, que poderia se materializar por meio de financiamento direto no mercado ou possível apoio público, se o financiamento com recursos privados não for suficiente", afirmou o porta-voz.

Segundo o instituto CEPS, o nível de alavancagem das empresas financeiras dos países da zona do euro subiu para 127% do PIB em 2010, de 111% em 2007 e 66% em 1999. Em contraste, a relação entre a dívida do setor financeiro e o PIB do país subiu de 76% em 1997 para 113% em 2007, mas reduziu-se no ano passado para 101%, segundo dados do Federal Reserve. As informações são da Dow Jones.

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