PSDB critica estratégia de Delfim para déficit zero

O PSDB concorda com o objetivo final do plano apresentado pelo ex-ministro da Fazenda e do Planejamento, deputado Delfim Netto (PP-SP), que é ajustar as contas públicas até chegar a um déficit nominal zero. "Discordamos do caminho para chegar lá", observou o economista José Roberto Afonso, assessor da liderança do partido na Câmara.Segundo Afonso, a alternativa que será apresentada pelo PSDB será, em vez de adotar a meta do déficit nominal zero, o controle do endividamento da União. "O partido vai propor que o governo não se endivide mais", afirmou.Ele lembrou que, desde 2000, existe um projeto de lei em tramitação na Câmara limitando a dívida mobiliária da União, e um projeto de resolução no Senado impondo limites para a dívida consolidada. "Esses dispositivos estão previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, mas o governo não deixa os parlamentares votá-los", disse.Afonso sustentou, ainda, que o aumento da Desvinculação das Receitas da União (DRU) de 20% para 40%, que seria adotado no âmbito do plano de déficit nominal zero, não é garantia de controle e de melhoria dos gastos do governo federal. "A mudança na DRU é uma cortina de fumaça, pois o aumento da desvinculação das receitas não reduz despesas, nem melhora a gestão dos recursos", disse. Ou seja, é provável que o partido se posicione contra a emenda ampliando a DRU, caso o governo realmente a envie ao Congresso.Se o governo está de fato interessado em reduzir gastos, Afonso acha que ele deveria voltar a atenção para as despesas que mais crescem, que são os benefícios do INSS e os pagamentos dos juros. "Nada do que se falou até agora resolve o problema do desequilíbrio da Previdência Social", afirmou. "Queremos controle de gastos, sim, mas daqueles que estão realmente subindo".O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), disse que não leva a sério o plano de déficit nominal zero discutido na última terça-feira. "A minha impressão é que é mais um factóide", afirmou. Para ele, as ações práticas do governo Lula ou não existem ou vêm em direção oposta ao maior controle dos gastos públicos.Goldman disse que o Brasil não precisa de um "choque de gestão", que o governo deve anunciar na semana que vem. "O que precisamos é de uma gestão do choque, de uma gestão da crise política que tomou conta do País. Numa situação como esta é preciso ter controle fiscal para evitar a contaminação da economia", argumentou.

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