PSDB vai reagir a manobras da base aliada contra Denise Abreu

Partido diz que não deixará aliados impedirem ex-diretora da Anac de mostrar argumentos ou provas sobre Varig

Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo,

10 de junho de 2008 | 16h21

A bancada do PSDB no Senado decidiu reagir a eventuais manobras da base governista para desqualificar ou impedir que a ex-diretora da Anac Denise Abreu apresente nesta quarta-feira, 11, na Comissão de Infra-Estrutura, argumentos e provas de suas acusações sobre a influência da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, nas negociações da venda da Varig. O partido promete rebater os movimentos dos parlamentares aliados do governo. Veja também:Lula diz que denúncias sobre venda da Varig são 'abomináveis'MPF vai investigar sócios da VarigTurbulências da Varig  O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que as denúncias feitas até agora pela ex-diretora da Anac são "altamente comprometedoras e mostram que a Casa Civil interferiu no processo de venda da Varig, vendida meses depois por um valor treze vezes mais". Segundo ele, a oposição considera suspeita a participação nas negociações do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fotografado no Palácio do Planalto com participantes das negociações. "Não vamos deixar que montem um teatro na Comissão sem o exame prévio dos fatos", prometeu Guerra. Disse que a base do governo poderá repetir amanhã manobras usadas na CPI dos Cartões Corporativos, como a de desqualificar o acusador, dizer que "o governo não tem nada com isso" e ainda tentar vincular o denunciante ao PSDB. "Só falta encontrar um novo Zezinho", ironizou, referindo-se a José Aparecido Nunes, ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, usado, na sua opinião, como bode expiatório no caso do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Prioridade Os líderes do PSDB e DEM se reuniram nesta tarde para acertar a estratégia para a reunião com Denise Abreu. Arthur Virgílio (PSDB-AM) e José Agripino (DEM-RN) decidiram dar total prioridade ao depoimento da ex-diretora.  "Não vamos deixar que os outros convidados falem antes de esgotarmos todas as questões com a ex-diretora da Anac", afirmou Agripino. "É preciso que ela (Denise) traga provas e apresente as circunstâncias", completou. Ao lado do PSDB, o DEM pretende reagir à eventuais manobras da base aliada para desqualificar a exposição de Denise e tentar diluir a sua audiência reforçando a palavra dos demais convidados da sessão.

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