Publicis assume o controle da Talent, com 60% das ações

Grupo francês já havia adquirido, em outubro do ano passado, uma participação de 49% na agência brasileira

Marili Ribeiro, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

O que já era informalmente sabido desde que o negócio foi fechado, em outubro do ano passado, consolidou-se oficialmente ontem. O conglomerado francês de propaganda e marketing Publicis Groupe - um dos três maiores do mundo - aumentou de 49% para 60% a participação acionária na agência brasileira de propaganda Talent.

Era parte do acordo o aumento do capital do grupo estrangeiro. A Talent soltou um comunicado informando que "a Talent entendeu como sendo um movimento estratégico para o Publicis Groupe e concordou em ceder um porcentual adicional". Com o negócio, o Publicis poderá consolidar os resultados da Talent em seu balanço.

No geral, o segmento de propaganda e marketing no Brasil trabalha com números projetados, já que muitas agências não revelam seus balanços. A falta de clareza desses dados colabora para que o fechamento de negócios na área se dê em duas etapas. É uma forma de os estrangeiros se familiarizarem com as práticas das empresas nacionais.

No caso da Talent, tudo conspirou a favor. Além de manter a robusta conta do banco Santander, a agência ganhou, nesse primeiro trimestre, as contas da fabricante de motocicleta Dafra e da indústria de cafés Sara Lee.

Nos próximos dias, deve anunciar também a verba de marketing de uma nova marca a ser lançada pelo laboratório Fleury e a conta da empresa de telecomunicações Embratel. No caso dessa última, é uma decisão do grupo mexicano América Móvil, controlador da Embratel, concentrar o atendimento de serviços na propaganda em um só fornecedor. A Talent já tem a conta da operadora de televisão paga NET, que faz parte do grupo mexicano.

A Talent diz que a operação não afeta sua atual gestão, que continua sob a liderança dos sócios fundadores, Júlio Ribeiro - que fica com a maior participação depois do Publicis -, José Eustáchio e Antônio Lino. Não há previsão de trocas na equipe.

Apesar de ter se decidido pela venda, Ribeiro - que é um dos profissionais que integram o time de ouro que deu visibilidade à publicidade brasileira há duas décadas - evita o assunto. A Talent resistiu por anos a insistentes abordagens dos conglomerados do setor.

Nacional. No bloco das agências que fizeram história no setor, sobrou apenas a DPZ, que se mantém 100% nacional, nas mãos dos sócios fundadores: Roberto Duailibi, José Zaragoza e Francesc Petit. Mesmo assim, correm boatos de que o mesmo grupo Publicis estaria interessado em comprá-la. Duailibi nega.

O valor da operação concluída ontem não foi revelado. Na época em que o negócio foi acertado, fonte próxima aos sócios disse que Talent e a QG - agência menor controlada por ela - foram compradas por US$ 150 milhões, incluindo aí a participação majoritária finalizada agora.

Além do Santander, a fabricante de tubos Tigre e a indústria de lonas e calçados Alpargatas estão no portfólio da Talent. Fundada em 1980, sempre foi vista como uma agência lucrativa e bem administrada.

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