Publicitário 'pop' reconhecido pelo Clio

Publicitário 'pop' reconhecido pelo Clio

WashingtonOlivetto recebeusemana passadaprêmio pelacarreira em NY

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2014 | 02h07

Washington Olivetto é pop. Nenhum outro publicitário brasileiro atingiu status parecido no imaginário popular. Homenageado em duas canções de Jorge Benjor - Engenho de Dentro e W/Brasil -, ele ganhou fama ao criar clássicos como O Primeiro Valisére a Gente Nunca Esquece, em 1987, e "inventar" o garoto-propaganda mais longevo do mundo: Carlos Moreno, que representa as marcas da Bombril desde o fim dos anos 70. O ator foi parar no Guinness, o livro dos recordes, graças a essa parceria.

Na semana passada, a carreira de mais de 40 anos de Olivetto, hoje diretor de criação e presidente do conselho da W/McCann, foi celebrada em Nova York. Primeiro publicitário brasileiro a ganhar um Leão de Ouro no Festival de Cannes e único vencedor do Grand Prix do Clio Awards pelo filme A Semana, para a revista Época, em 2001, ele também se tornou o primeiro a receber o Clio pelo conjunto da carreira - Lifetime Achievement Award.

Leão aos 19 anos. A "estreia" de Olivetto na publicidade foi aos 17 anos, como estagiário, quando não havia nem terminado o colegial. Não demorou muito para que fosse transferido à criação. Aos 19 anos, ganhou seu primeiro Leão, um bronze para uma peça criada para a linha de torneiras da Deca, empresa que continua no rol de clientes da W/McCann até hoje. Durante os anos 70, depois de passagens por agências de menor porte, Olivetto transferiu-se para a DPZ, onde criou a figura do "garoto Bombril".

Na década seguinte, resolveu empreender. Nos anos 1980, associou-se à GGK para criar a W/GGK. A parceria durou três anos, lembra Olivetto. O publicitário acabou comprando a fatia dos sócios estrangeiros e rebatizou a empresa de W/Brasil. Na segunda metade da década, ele criou comerciais que até hoje são lembrados. Em Nova York, na premiação do Clio, uma das peças lembradas foi O Primeiro Valisére a Gente Nunca Esquece, que abordava um "rito de passagem" da adolescência com sensibilidade.

"Na festa depois da premiação, na quarta-feira, gente que nunca havia visto o comercial veio me parabenizar por ele. É incrível a reação", diz Olivetto sobre a propaganda lançada em 1987. A força do comercial foi tamanha que acabou lançando a carreira de atriz de Patricia Lucchesi, que posteriormente atuou em filmes e novelas.

A W/Brasil manteve-se uma agência "independente", sem sociedade com redes internacionais, por mais de 20 anos. Em 2010, a empresa se associou à McCann, convencendo o grupo global a mudar de nome no País para W/McCann. "Foi uma surpresa, pois ninguém achava que seria possível convencê-los disso", diz Olivetto.

Ao receber o prêmio pelo conjunto da carreira das mãos do presidente global da rede McCann Worldwide, Harris Diamond, o brasileiro de 63 anos disse que a homenagem parecia uma forma elegante de dizer que ele estava velho. Mas logo emendou: "Vou usar isso como oportunidade para fazer o velho se tornar, mais uma vez, novo."

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