Pulseira que conta calorias pode errar nos cálculos

Nike FuelBand pode dar mais pontos por comer pizza do que por exercício

JENNA WORTHAM , THE NEW YORK TIMES , / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h06

No começo do mês, flagrei-me nutrindo uma obsessão por um bicho de estimação digital tão exigente quanto os Tamagotchi que colecionava quando criança. Trata-se do Nike FuelBand, bracelete que tem a missão de monitorar a atividade física da pessoa que o estiver usando.

O aparelho, que conta as calorias gastas ao longo do dia, atribui pontos virtuais e distribui recompensas conforme o usuário atinge objetivos estabelecidos. Uma luz vermelha se acente quando o gasto energético está abaixo do desejado.

No entanto, em um dia em que basicamente fiquei em casa com uma xícara de café, recebi parabéns por ter atingido minhas metas. Parece estranho, mas outros já perceberam os problemas com o "brinquedo". Casey Chan, que escreve para o blog Gizmodo, descobriu que o bracelete registra mais pontos quando comemos um pedaço de pizza do que quando subimos um lance dse escadas.

Porta-voz da Nike, Joseph Teegardin disse na semana passada que a empresa atribuiu pontos a diferentes comportamentos. Para contabilizar os pontos, o equipamento monitora a atividade e comparam os padrões de movimento a um índice pertencente à Nike. Ele acrescentou que o aparelho funciona melhor com atividades que envolvam movimentos do punho - dança e basquete, por exemplo.

O FuelBand faz parte de uma nova categoria de aparelhos de acompanhamento esportivo que prometem transformar seus proprietários em coletores de dados pessoais, capazes de analisar e aprimorar suas rotinas.

Esses dispositivos atraíram legiões de fãs que querem saber a distância que percorrem numa corrida ou quantas calorias queimam no caminho para o trabalho. Mas o FuelBand tenta desbravar novos territórios ao criar seu próprio índice de distribuição de pontos, chamado Nike Fuel. A ideia é dar aos usuários uma meta genérica.

Mas há limites. "Isso não costuma levar ninguém a mudar de hábitos", disse Michael Kim, administrador da Kairos Lab, empresa de Seattle especializada em criar software social para influenciar comportamentos. O FuelBand se conecta a smartphones e mostra aos usuários um alienígena dançante como recompensa pelo cumprimento de uma meta. Mas Kim, cujo currículo inclui um período como diretor do Xbox Live, sistema de jogos da Microsoft, diz que esse tipo de mecanismo "não é suficiente". "Pontos não levam a uma mudança."

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