'Pumped Storage Hydroeletricity'

Há 37 anos, o então secretário de Estado paulista engenheiro Eduardo Yassuda falou ao ministro de Minas e Energia da época, que subscreve este despretensioso artigo, da importância das usinas elétricas reversíveis para diminuir o custo da energia elétrica no nosso país, aumentando a oferta de água potável na região metropolitana de São Paulo, além de contribuir para a despoluição dos Rios Pinheiros e Tietê, a um custo marginal.

Shigeaki Ueki, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2014 | 02h03

O governo do Estado já tinha vários estudos preliminares, mas não conseguia autorização das autoridades federais do setor para prosseguir. Aliás, ao setor de energia - seja de petróleo, gás, hidro, bio, etc. - os políticos, governantes, empresários e mesmo os meios acadêmicos paulistas não dão a devida importância.

A energia representa quase 10% da economia de qualquer país. No mundo, estamos falando em US$ 5 trilhões e, no Brasil, num valor da ordem de US$ 200 bilhões. Temas financeiros e outros empolgam os paulistas, mas a energia não tem merecido a devida atenção. Se o tema é competitividade, porém, o setor energético é fundamental.

Há dez anos acompanho o trabalho dos engenheiros José Gelázio da Rocha e Fabio De Gennaro Castro, um investimento feito pela Isoterma Construções Técnicas Ltda., do empresário Og Pozzoli, que despendeu uma pequena fortuna, partindo do projeto de uma usina reversível para um projeto otimizado de usos múltiplos, associando produção de energia de ponta ao abastecimento de água principalmente para a região metropolitana de São Paulo. O projeto encontrou ecos e apoios entusiastas de técnicos de bancos internacionais e do BNDES.

Em síntese, o projeto vai transportar água do Rio Juquiá, na Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape, quase do nível do mar (cota 30) para o nível de 900 metros e aumentar a vazão dos Rios Tietê e Pinheiros. Para tanto, utilizaríamos a energia elétrica gerada e não consumida nas horas de pouca demanda. A vazão dos dois rios é da ordem de 40 m³/s e a usina projetada dobraria ou triplicaria tal vazão. Os benefícios serão, em resumo, os seguintes:

a capital paulista e os municípios vizinhos resolverão por longo prazo o grave problema de abastecimento de água potável, liberando o peso que hoje têm os municípios da Bacia do Rio Piracicaba de "ceder" água para outros. O aumento da vazão propiciaria condições para todas as hidrelétricas a jusante do sistema Tietê/Paraná aumentarem os atuais fatores de utilização das suas turbinas e geradores;

a Usina Hidrelétrica Henry Borden, em Cubatão, que está operando com 80% de ociosidade, poderá vir a operar plenamente, diminuindo custos e aumentando a segurança e a confiabilidade da rede paulistana, que recentemente tem dado muitos sinais de fragilidade;

e uma grande economia no consumo de petróleo e de gás natural, hoje utilizado em usinas térmicas.

Não podemos nos esquecer de que as nossas contas externas não são confortáveis. Somente neste ano o déficit estimado é da ordem de US$ 60 bilhões, isto é, valor suficiente para construir 20 usinas reversíveis de 1.500 MW.

Há, hoje, 65 usinas reversíveis no mundo, com capacidade superior a 1.000 MW cada uma, operando nos Estados Unidos, China, Japão, Suíça, Itália, Bélgica, Inglaterra, Ucrânia, África do Sul, Alemanha, França, Lituânia, Áustria, Taiwan, Índia, Austrália e Rússia, mas ainda nenhuma no Brasil. Será que todos esses países têm política energética equivocada e somente nós estamos certos?

Perdoem os leitores por titular o artigo em inglês, mas durante dez anos denominamos o projeto em vernáculo, corretamente, como "Usina Hidrelétrica Reversível", mas não conseguimos obter a atenção dos empresários e das autoridades.

*Shigeaki Ueki foi ministro de Minas e Energia (governo Geisel) e presidente da Petrobrás (governo Figueiredo) 

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