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Putin diz que crise da Rússia deve durar até dois anos

Para tentar tranquilizar os russos, o presidente do país afirmou que o rublo vai voltar a subir e reconheceu que o governo tem de adotar medidas adicionais

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18 Dezembro 2014 | 08h59

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira, 18, que a economia russa vai se recuperar depois do colapso do rublo ante o dólar, mas alertou que pode demorar até dois anos para que o país saia da crise.

Sob pressão para mostrar que tem um plano para tirar a Rússia da crise em sua entrevista à imprensa de final de ano, Putin apoiou as ações do banco central e do governo numa crise pela qual ele culpou fatores externos, mas disse que mais medidas serão necessárias.

Para amenizar a desvalorização do rublo, o Banco Central da Rússia aumentou prazo para moratória sobre empréstimos e permitiu a bancos trabalharem com as taxas de câmbio do último trimestre.

A economia russa está caminhando para recessão no que um ministro chamou de "tempestade perfeita" de baixos preços do petróleo, sanções do Ocidente pela crise da Ucrânia e problemas econômicos globais. O rublo já perdeu cerca de 46% contra o dólar neste ano. "Se a situação se desenrolar desfavoravelmente, teremos que ajustar nossos planos. Sem dúvida, teremos que cortar alguns (gastos)", disse Putin. 

Ele disse que a Rússia tem que diversificar sua economia para reduzir a dependência do petróleo, seu principal produto de exportação e uma fonte importante de receita estatal, e que uma recuperação pode ter início em algum momento do ano que vem. 

Um forte opositor, o ex-primeiro-ministro Mikhail Kasyanov disse que a crise mostra que Putin administrou mal a economia e que ele deveria organizar eleições livres para acabar calmamente com seu domínio de quase 15 anos da Rússia. "A Rússia está entrando em declínio", disse Kasyanov, sugerindo que Putin deveria aceitar que "precisa de uma saída de estratégia" de saída de poder. 

O ministro da Economia, Alexei Ulyukayev, afirmou em entrevista a um jornal que as sanções Ocidentais devem durar "bastante tempo" e que a Rússia está pagando o preço por não realizar reformas estruturais, descrevendo os eventos como "tempestade perfeita". 

Um aumento de 6,5 pontos percentuais na principal taxa de juros, para 17%, não conseguiu impulsionar o rublo na terça-feira. A Rússia também já gastou mais de US$ 80 bilhões neste ano tentando sustentar a moeda. 

Medidas extras. Putin afirmou que o governo tem que adotar medidas adicionais para garantir a estabilidade econômica. "Tem havido resultados mas o governo precisa adotar outras medidas", disse Putin em sua entrevista à imprensa de fim de ano, acrescentando que o banco central não é a única entidade responsável pela situação econômica.

(Reportagem adicional de Lidia Kelly, Alexander Winning e Katya Golubkova)

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