Marcos Santos/USP Imagens
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Puxada pela energia, prévia da inflação fica em 0,89% em agosto, a maior para o mês desde 2002

IPCA-15 acumula alta de 9,30% no período de 12 meses, segundo o IBGE; aumento no gás de botijão também pesou no indicador

Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2021 | 09h15
Atualizado 25 de agosto de 2021 | 11h02

RIO - Puxado pelo aumento da energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15),  uma prévia da inflação oficial do País, subiu 0,89% em agosto, após ter avançado 0,72% em julho, informou nesta quarta-feira, 25, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior alta para o mês de agosto desde 2002, quando o índice avançou 1,00%.

O resultado superou a maioria as estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, de 0,84% para agosto, mas ficou dentro do intervalo das projeções, de 0,65% a 0,92%.

Com a leitura de agosto, o IPCA-15 acumulou alta de 5,81% no ano e de 9,30% em 12 meses. Neste caso, as projeções iam de 9,04% a 9,33%, com mediana de 9,25%. A última vez que a inflação média do País em 12 meses ultrapassou a barreira de 9% foi em maio de 2016 (9,62%). Mas em quatro logais pesquisados o índice chegou à marca de dois dígitos:  Porto Alegre (10,37%), Goiânia (10,67%), Fortaleza (11,37%) e Curitiba (11,43%).

Uma das principais responsáveis pela alta da inflação neste ano, a energia elétrica residencial ficou 5% mais cara em agosto, segundo o IPCA-15, exercendo o maior impacto (0,23 ponto porcentual) entre os subitens pesquisados. A alta dos preços da energia foi, inclusive, mais intensa do que a verificada em julho, quando havia ficado 4,79% mais cara.

A bandeira tarifária vermelha patamar 2 vigorou nos meses de julho e agosto, mas, a partir de 1º de julho, houve reajuste de 52% no valor da taxa extra, que passou a cobrar R$ 9,492 a cada 100 kWh, antes, o acréscimo era de R$ 6,243. Além disso, o resultado foi consequência dos reajustes tarifários nas contas de luz em Belém, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Com a leitura do mês, o grupo de habitação - que inclui a energia elétrica - apresentou alta de 1,97% em agosto, após avanço de 2,14% em julho. Tabmém contribuíram para o resultado o aumento do gás de botijão (3,79%) e do gás encanado (0,73%). No lado das quedas, ficou mais barata a taxa de água e esgoto (-0,49%), por conta da mudança na metodologia de cobrança das tarifas em Belo Horizonte (-6,40%).

A segunda maior contribuição para o IPCA-15 deste mês veio dos transportes, com aumento de 1,11%, seguida por alimentação e bebidas (1,02%). A única queda foi em saúde e cuidados pessoais (-0,29%).

No grupo dos transportes, os preços dos combustíveis (2,02%) aceleraram em relação a julho (0,38%). A principal contribuição veio da gasolina, que subiu 2,05% no mês e 39,52% em 12 meses. Também tiveram alta os preços do etanol (2,19%) e do óleo diesel (1,37%), enquanto o gás veicular registrou queda de 0,51%.

A deflação no grupo saúde e cuidados pessoais se deve principalmente à queda nos preços dos itens de higiene pessoal (-0,67%), produtos farmacêuticos (-0,48%) e plano de saúde (-0,11%).

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