Puxada pelo botijão de gás, inflação acelera para 0,54% em setembro

Importante na despesa das famílias, botijão ficou 12,98% mais caro; IPCA acumula alta de 7,64% em 2015, o maior patamar desde 2003

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 09h01

Atualizado às 12h45

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,54% em setembro, ante 0,22% em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, que veio dentro das estimativas, o IPCA passou a acumular altas de 7,64% no ano - o maior patamar desde 2003 - e de 9,49% em 12 meses.

O principal vilão foi o botijão de gás, que ficou 12,98% mais caro no mês passado. A alta é fruto do reajuste de 15% autorizado pela Petrobrás nas refinarias, vigente desde 1º de setembro. "Enquanto em algumas regiões pesquisadas o preço do produto aumentou bem menos do que o reajuste concedido, a exemplo do Rio de Janeiro, que ficou em 9,49%, em outras o preço superou em muito o reajuste. É o caso de Vitória, onde atingiu 20,08%, Goiânia, 19,68%, e Brasília, 19,23%", destaca o IBGE.

"Em 2002, houve retirada do subsídio do gás e ainda aconteceram dois reajustes", disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. "Desde então, o preço nas refinarias não havia aumentado", afirmou. Segundo Eulina, os aumentos podem ser explicados pelos maiores gastos das distribuidoras com mão de obra e transporte. 

Com a alta do gás, o grupo Habitação acelerou de 0,29% em agosto para 1,30% em setembro, a maior alta entre os grupos do IPCA. Outros itens, porém, contribuíram para o movimento. A taxa de água e esgoto, por exemplo, ficou 1,48% mais cara no mês passado, tendo em vista aumentos ocorridos em Curitiba, São Paulo, Vitória e Rio de Janeiro. 

A energia elétrica, por sua vez, avançou 0,28%, em função de reajustes em Brasília e Goiânia. Nas demais regiões, os resultados oscilaram, apontou o IBGE, por causa de impostos e da redução de 18% no valor da bandeira vermelha a partir de 1º de setembro. Além disso, também subiram o aluguel residencial (0,59%) e o condomínio (0,45%).

Alimentos. Após recuar em agosto, o grupo Alimentação e Bebidas voltou a subir em setembro. A alta ficou em 0,24%, após queda de 0,01%. A cebola ficou 18,85% mais barata, enquanto o tomate cedeu 13,86%. Por outro lado, a batata-inglesa subiu 7,26%, e o pão francês ficou 0,99% mais caro. Os alimentos consumidos fora do domicílio subiram 0,77%, enquanto os consumidos em casa apresentaram leve queda, de 0,05%.

A coordenadora do IBGE explicou que a substituição do consumo de carne por frango tem levado os preços de aves a subirem no varejo. Como resultado, o frango inteiro ficou 1,45% mais caro em setembro, após queda de 0,43% em agosto. Apesar disso, a alta em 12 meses (4,73%) é bem mais amena do que a de carnes (17,23%), o que justifica a substituição.

Outra pressão dentro do grupo Alimentação e Bebidas parte das bebidas frias. Segundo Eulina, os comerciantes se antecipam ao aumento de impostos. Com isso, o refrigerante ficou 1,84% mais caro, enquanto a cerveja subiu 1,69%.

Passagem aérea. A inflação de serviços voltou a ganhar força em setembro, por causa principalmente da alta de 23,13% nas tarifas de passagens aéreas. O IPCA do setor avançou 0,66% no mês passado, contra alta de 0,32% em agosto. Em 12 meses, a inflação de serviços acumula alta de 8,13%.

Além da pressão das passagens aéreas, estabelecimentos como bares e restaurantes não têm encontrado alternativa senão repassar custos maiores com energia elétrica e taxa de água e esgoto, segundo Eulina. Além disso, condomínio, aluguel e serviços médicos também estão mais caros.

O aumento do preço das passagens aéreas levou o grupo Transportes a sair de uma queda de 0,27% em agosto para alta de 0,71% em setembro. Sozinha, a passagem aérea teve impacto de 0,07 ponto porcentual no IPCA.

De acordo com Eulina, a alta foi provocada pelo Rock in Rio e pelo feriado de 7 de setembro. Houve ainda impactos de aumentos no combustível (querosene) e do dólar, mas menores do que a influência sazonal. "Passagens têm um pouco de dólar e combustível e muito desses eventos. Mesmo com combustível e dólar, se você não tem demanda, dificilmente consegue ofertar passagens com preços mais caros", explicou.


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