EPITACIO PESSOA/ESTADAO
EPITACIO PESSOA/ESTADAO

Puxada pelo milho, safra deve bater novo recorde

Produção de grãos do País deve chegar a 238,9 milhões de toneladas em 2018/2019, expansão de 4,9% na comparação com a safra 2017/2018

Daniela Amorim, Augusto Decker e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2019 | 04h00

A produção brasileira de grãos deve atingir o recorde de 238,9 milhões de toneladas no ano safra 2018/2019, um crescimento de 4,9%, em comparação com a safra de 2017/18, segundo o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmado, o resultado supera em cerca de 100 mil toneladas a safra de 2016/17, a maior já colhida pelo País até então.

O IBGE também reviu para cima a projeção para a safra brasileira de 2019, estimando que totalize 234,7 milhões de toneladas, resultado apenas 3,7 milhões aquém do recorde obtido em 2017.

A diferença de estimativas tem explicação no uso de metodologias distintas. O IBGE trabalha com anos civis (anos cheios), enquanto a Conab pesquisa o ano-safra (que vai de abril até março do ano seguinte). O IBGE também investiga culturas que não integram as pesquisas da Conab.

No entanto, em ambos os casos, o avanço da safra atual será puxado pela produção de milho.

O clima no Centro-Oeste, grande região produtora de grãos, deve ser favorável à colheita de milho e algodão nos próximos dias, já que são previstas poucas chuvas, de acordo com o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana. 

“Em outras regiões onde ocorre plantio, deve haver volume considerável de chuva, que favorece o desenvolvimento das culturas”, disse Santana.

A safra total de milho deve alcançar 97 milhões de toneladas, um aumento de 20% em comparação com o ano anterior, segundo a Conab. O aumento absoluto na área plantada do milho nesta safra foi ainda maior do que o da soja, que costuma ser o carro-chefe na produção nacional de grãos. A Conab prevê ainda exportação recorde de milho, de 32 milhões de toneladas.

“A produção agrícola aumentando, a oferta aumentando, isso tudo é sempre positivo internamente, porque diminuiu pressões altistas sobre custos de produtores de animais. Sem contar que a produção aumentando é faturamento crescendo junto, o que beneficia o PIB , a balança comercial, as transações correntes”, enumerou Marcel Caparoz, economista da RC Consultores.

Preço

Produtor de milho há 20 anos, o agricultor Paulo Manoel da Siqueira, de 42 anos, dono da Fazenda São José, em Capela do Alto, interior de São Paulo, não consegue disfarçar o sorriso. Apesar da previsão de uma segunda safra altamente produtiva, para ele uma das melhores dos últimos dez anos, o preço do milho continua bom. “Hoje está a R$ 35 a saca, mas a tendência é de alta. A safra dos EUA teve problemas climáticos, com excesso de chuvas e atraso no plantio. A queda de produção lá refletiu no preço aqui.”

Siqueira dará sua contribuição para os bons números da segunda safra do milho (safrinha). Ele espera colher média de 150 sacas por hectare em 200 hectares cultivados. “Este ano as chuvas foram regulares no ciclo todo, mesmo agora, no outono. Ano passado foi muito seco e, mesmo irrigando uma parte consegui média de apenas 100 sacas por hectare.”

Mesmo considerando que o preço de 2018 estava melhor, devido à quebra da segunda safra de milho pela seca – ele vendeu à média de R$ 40 a saca – o resultado financeiro este ano será melhor. A receita bruta com o milho deve passar de R$ 1 milhão. Em 2018, mesmo com o preço mais alto, a renda bruta ficou em R$ 800 mil. Devido à irrigação, o custo também foi mais alto. Ele tem ainda um custo adicional: 60% da área de cultivo são de terras arrendadas, despesa que pesa mais em safra ruim.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.