Marcos Arcoverde/Estadão
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Puxada por minério de ferro, royalties da mineração atingem R$ 2,1 bi no primeiro semestre

O estado do Pará lidera o ranking de arrecadação, seguido por Minas Gerais; valor representa um crescimento de 1,3% no período

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 18h40

RIO - A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), o royalty da mineração, teve alta de 1,3% no primeiro semestre de 2020. A receita recolhida somou R$ 2,1 bilhões no período, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) compilados pela Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig). O estado do Pará lidera o ranking de arrecadação, seguido por Minas Gerais. Juntos, eles concentram 88,5% de toda a CFEM do País. 

Sede dos principais projetos da Vale, o S11D e Carajás, o Pará levantou R$ 1,035 bilhão com royalties de janeiro a junho. O montante representa um crescimento de 11% frente ao primeiro semestre do ano passado, quando passou Minas pela primeira vez no ranking. Palco da tragédia da barragem de Brumadinho em janeiro de 2019, Minas Gerais viu sua receita recuar 10,5% na primeira metade de 2020, para R$ 834,5 milhões. Desde o rompimento da barragem o estado vem enfrentando a paralisação de operações da Vale.

“Essa queda (de arrecadação) em Minas tem duas principais causas: a dificuldade da Vale para voltar a operar com todas as suas operações de minério de ferro e o fato de a CSN estar em período de transição, diminuindo a produção de hematita para aumentar a de itabirito, um minério mais pobre”, diz Waldir Salvador, consultor de relações institucionais e econômicas da Amig. 

A economista da entidade, Luciana  Mourão, diz que a expectativa de médio prazo é que a Vale só recupere a capacidade de produção que tinha nas estruturas que foram paralisadas até o final do primeiro semestre de 2021. A despeito das dificuldades na retomada total, o Grupo Vale respondeu por 53,67% (R$ 1,34 bilhão) do total de CFEM pago nos seis primeiros meses do ano. Em seguida vêm Anglo American (7,90%) e CSN (5,88%).

Os dados mostram que o minério de ferro continua sendo o carro-chefe da mineração brasileira. A commodity respondeu por 75,22% da CFEM gerada no período. Os preços do minério têm se mantido em alta, ancorados na redução da oferta global pela Vale desde o ano passado. Mais recentemente as preocupações com uma eventual interrupção de oferta do Brasil por causa da covid-19 e a retomada da economia chinesa ajudaram a impulsionar ainda  mais a cotação do produto, que atingiu a máxima de US$ 103 por tonelada em junho. 

“O que se espera é que no curto prazo os preços se mantenham altos. Com a normalização da oferta global, deve haver uma pressão nas cotações e o preço deve cair no segundo semestre de 2020”, analisa Luciana.

Na balança comercial brasileira o minério de ferro e seus concentrados ocuparam o terceiro lugar no ranking das exportações brasileiras, com 9,27% do total de janeiro a junho. As exportações brasileiras de minério de ferro e seus concentrados atingiram US$ 9,4 bilhões, uma queda de 3,7% em relação ao primeiro semestre de 2019. Já o volume exportado, houve recuou 10,7% em relação ao ano passado.

Mesmo no cenário da pandemia da covid-19 a China segue como o principal destino do minério brasileiro, respondendo por 66,10% do total exportado na primeira metade de 2019, seguida Malásia (8,14%) - onde a Vale tem um centro de blendagem de minério -, Japão (4,12%)e Holanda (3,44%).

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