Puxado pela expansão do crédito, lucro do Bradesco sobe 22% no semestre

Ganho entre janeiro e junho chega a R$ 5,5 bi; no segundo trimestre, lucro de R$ 2,8 bi representou alta de 16% ante igual período de 2010

Altamiro Silva Junior,

28 de julho de 2011 | 02h03

O Bradesco lucrou R$ 2,785 bilhões no segundo trimestre, com crescimento de 15,8% na comparação com o mesmo período de 2010. No fechamento do primeiro semestre, teve lucro líquido de R$ 5,487 bilhões, aumento de 21,7% ante igual período de 2010. O retorno anualizado sobre o patrimônio ficou em 23,2%.

Puxaram a expansão do lucro as operações de crédito, as receitas com serviços a clientes e a área de seguros. As vendas de planos de previdência, seguros e títulos de capitalização foram responsáveis por 28,1% dos ganhos.

No mercado de crédito, a carteira total fechou junho em R$ 319,8 bilhões, alta de 23,1% em 12 meses e de 4,5% na comparação com março deste ano. Na pessoa física, que inclui financiamento habitacional, veículos e crédito pessoal, houve crescimento de 14,6%. O destaque foi o financiamento imobiliário, que cresceu 59%. Na pessoa jurídica, que inclui linhas como crédito à pequena e média empresas, a expansão foi maior, ficando em 27,6%.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirmou que o desempenho do banco no primeiro semestre reflete o bom momento da economia. O executivo cita que o banco vem conseguindo crescer aumentando sua rede de atendimento e atraindo novos clientes. No primeiro semestre, abriu 2,1 milhões de novas contas correntes. "Em média, agregamos 500 mil clientes por trimestre", disse.

Trabuco avalia que o mercado "continuará robusto no médio e longo prazo", com mobilidade social, novos empreendimentos e geração de empregos. Todos esses pontos criam um cenário favorável para os negócios bancários. Por isso, disse que o crédito no Brasil tem espaço para crescer na casa dos 15% "por um bom tempo". No crédito habitacional, o banco previa liberar R$ 10 bilhões este ano. Ao anunciar o balanço, aumentou a projeção para R$ 14 bilhões.

Inadimplência. O crescimento do crédito foi acompanhado de maior inadimplência. O Bradesco registrou pequeno aumento do indicador no segundo trimestre, puxado pela alta de calotes da pessoa física. A taxa total, considerando atrasos superiores a 90 dias, terminou junho em 3,7%, ante 3,6% em março. Considerando apenas a pessoa física, terminou em 5,7%, ante 5,5% no primeiro trimestre do ano.

Na pessoa jurídica, houve aumento da inadimplência na carteira de micro, pequenas e médias empresas. A taxa passou de 3,5% no primeiro período do ano para 3,6%. Com o aumento das operações de crédito e da inadimplência, o Bradesco teve mais despesas com provisões para devedores duvidosos. No segundo trimestre, a despesa ficou em R$ 2,437 bilhões, uma evolução de 3,3% em relação ao trimestre anterior. Na comparação semestral, houve aumento de 10,3%.

Após o aumento dos últimos meses, Trabuco acredita que a inadimplência deve se manter estável nos próximos meses.

O aumento do lucro também veio com a maior receita com serviços financeiros a clientes. No segundo trimestre, cresceram 15% e somaram R$ 3,7 bilhões. No semestre, ficaram em R$ 7,3 bilhões, aumento de 14%. A expansão foi puxada pelo crescimento das operações com cartões de crédito, aumento dos empréstimos tanto na pessoa física como na jurídica e pela abertura de novas contas correntes.

Em cartões de crédito e débito, por exemplo, os clientes do Bradesco fizeram 273 milhões de operações no segundo trimestre. A base total de cartões passou de 137,8 milhões em junho de 2010 para 150,4 milhões no mês passado.

A seguradora faturou R$ 9,6 bilhões no segundo trimestre, 35% mais que de abril a junho de 2010. Entre os segmentos, a Bradesco Saúde teve expansão de 22% nas vendas e a Bradesco Vida e Previdência, 49%.

O Bradesco abriu 10 mil pontos de atendimento nos últimos 12 meses e fechou junho com 59 mil pontos. No período, inaugurou 200 agências e reforçou sua estratégia de abrir correspondentes bancários em todo o País, uma forma de compensar a perda das 6 mil agências do Banco Postal, que a partir de 2012 serão operadas pelo Banco do Brasil.

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