Puxado por bancos estrangeiros, estoque de crédito sobe 0,6% em junho, para R$ 3,1 tri

Enquanto bancos privados nacionais emprestaram 0,3% mais em junho, os estrangeiros aumentaram a carteira em 1,2%

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 11h10

Atualizado às 12h26

BRASÍLIA -O estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,6% em junho ante maio e chegou a R$ 3,102 trilhões, como informou o Banco Central. No primeiro semestre do ano, houve alta de 2,8% e, em 12 meses até junho, de 9,8%. 

Pela primeira vez em muitos meses, as instituições financeiras estrangeiras puxaram o aumento do estoque de crédito em junho, ultrapassando, assim, o papel dos bancos oficiais. Houve avanço de 1,2% nesse segmento de maio para junho, para um total de R$ 452,723 bilhões. O crescimento foi de 2,6% no semestre e, em 12 meses até o mês passado, de 8,1%.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, minimizou ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, o fato de o crescimento do saldo de crédito dos bancos privados estrangeiros ter ficado acima dos oficiais. "É o resultado de apenas um mês, não é possível ainda fazer uma avaliação mais geral", afirmou.

Nos privados nacionais, a queda foi de 1% no primeiro semestre de 2015, para R$ 944,008 bilhões. A expansão em junho foi de 0,3% e em 12 meses encerrados no mês passado, de 3,3%. Já nos bancos públicos, houve alta de 5,1% no ano até junho, para R$ 1,705 trilhões. A alta mensal foi de 0,7% e a em 12 meses, de 0,3%.

No crédito total, houve aumento de 0,6% no crédito para pessoas jurídicas e alta de 0,7% para o consumidor no mês. De janeiro a junho, a alta está em 2% para as empresas e em 3,7% para a pessoa física. No caso do período de 12 meses encerrados no mês passado, as taxas são de crescimento de, respectivamente, 8,9% e 9,8%.

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'(...) a evolução do crédito continua mostrando moderação, lembrando que a nossa projeção para o ano é de uma expansão de 9%' - chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel
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O crédito livre cresceu 0,9% no mês, 1,4% no primeiro semestre de 2015 e 4,9% em 12 meses até junho. Já no caso do direcionado (BNDES, rural e imobiliário), aumentou 0,4% em junho ante maio, 4,4% no primeiro semestre do ano e 15,6% em 12 meses até junho. O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) passou de 54,4% em maio para 54,5% no mês passado. 

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, avaliou que o crédito manteve-se em expansão em junho, mas com comportamento semelhante aos de meses anteriores, ou seja, com ritmo menor do que a verificada em igual período de 2014. Maciel negou que o crédito no País esteja estagnado e explicou que, sazonalmente, a expansão do financiamentos no primeiro semestre do ano é menor que do segundo semestre. 

"Desta forma, a evolução do crédito continua mostrando moderação, lembrando que a nossa projeção para o ano é de uma expansão de 9%", comentou.

Segundo ele, o crédito direcionado é o principal responsável por essa desaceleração do crédito. "Já o crédito livre manteve praticamente a mesma expansão do ano passado, passando de 1,1% no primeiro semestre de 2014 para 1,4% nos primeiros seis meses deste ano", acrescentou.

BNDES. Os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas recuaram 0,3% de maio para junho, somando um total de R$ 609,767 bilhões. No primeiro semestre do ano, a expansão está em 2,4% e, em 12 meses, em 14,1%. Em junho, houve recuo de 7,2% nas linhas de capital de giro (R$ 15,944 bilhões), queda de 0,1% no financiamento ao investimento (R$ 581,578bilhões) e alta de 2,7% nas modalidades para o setor rural (R$ 12,245 bilhões) por parte do banco de desenvolvimento.

Maciel destacou que há uma desaceleração "bem nítida" na concessão de crédito para pessoas jurídicas pelo BNDES, com impacto no crédito para empresas com um todo. "As taxas do setor mudaram, a TJLP que era de 5% agora será de 6,5% ao ano. Também houve variação nas condições de diversos programas que contam com recursos do BNDES", completou.

Imóveis e automóveis. As operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceram 1,1% em junho ante maio, totalizando R$ 470,953 bilhões. No primeiro semestre deste ano, a expansão foi de 9,1% e, em 12 meses até junho, de 23,3%. Segundo o BC, R$ 62,599 bilhões se referem a empréstimos a taxas de mercado e R$ 408,354 bilhões a taxas reguladas. 

O estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física recuou 1,4% de maio para junho. Com isso, o total de recursos para aquisição de automóveis por esse grupo de clientes ficou em R$ 172,968 bilhões no mês passado - em maio o volume foi de R$ 175,460 bilhões. No primeiro semestre do ano, a queda nesse tipo de crédito é de 6,1% e, em 12 meses até junho, de 7,3%.

Maciel avaliou que o setor de veículos ainda se ressente do fim da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). "Isso se reflete no volume dos empréstimos", comentou.

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