Quais opções restam para o euro?

Uma união de transferências de recursos, em que os fortes pagam pelos fracos, ou uma união monetária menor de economias semelhantes

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h04

Artigo

Políticos levaram seus países a uma situação sem paralelos na crise do euro. E eles já sabem o que muitos eleitores ainda não suspeitam. No final, somente duas possibilidades restarão para salvar a atribulada moeda comum europeia: uma união de transferências caras ou uma pequena união monetária. Cada uma das soluções será extremamente dispendiosa.

A crise do euro

Como a Grécia se tornou uma marionete nas mãos dos investidores? Como o Banco Central Europeu (BCE)se extraviou? Por que o mundo não tem mais sentido para os gregos? Como a aposta de Maastricht fracassou?

Em outubro de 2009, o analista Marko Mrsnik, da agência de classificação Standard & Poor's calculou que a dívida da Grécia aumentaria para 125% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2010. No mesmo dia, as operações de hedge contra um calote dos títulos gregos ficaram mais caras. Os instrumentos de proteção contra um calote, conhecidos no jargão do mercado como swaps de crédito (CDS), eram um indicador do quão péssima estava a situação da Grécia. Hoje, uma proteção contra um calote de um título do governo grego de US$ 10 milhões custa US$ 189 mil. Para os grandes investidores foi o sinal que estava na hora de sair da Grécia.

Algumas pessoas também ficaram muito inquietas na sede da Pacific Investment Company (Pimco) em Newport Beach, na Califórnia, cerca de uma hora de carro ao sul de Los Angeles. A Pimco é a maior investidora do mundo em títulos governamentais. A companhia empresta dinheiro para governos comprando títulos. Quando ela deixa de comprar títulos de um país, é um sinal claro de que essa nação está à beira de uma crise e, possivelmente, de uma bancarrota.

A Pimco controla mais de US$ 1,3 trilhão em nome dos seus clientes. É uma cifra absurda, mesmo nestes tempos de fundos de socorro e bancos sendo amparados com bilhões e mais bilhões de dinheiro do contribuinte. A Pimco tem quatro vezes o orçamento nacional da Alemanha para investir.

É por essa razão que quase todos os governos mantêm vínculos estreitos com a empresa. Enviam seus ministros de Finanças, presidentes de bancos centrais e, às vezes, até os próprios líderes nacionais para reuniões com seu presidente executivo, Mohamed El-Erian, e convencê-lo a comprar títulos do seu governo.

Nas últimas semanas de 2009, a empresa vendeu todos os títulos gregos. El-Erian diz que a companhia queria sair do negócio antes que alguém mais observasse que as cifras estavam aumentando. A companhia jamais confia em avaliações externas. Pelo contrário, emprega hordas de analistas, sendo que alguns deles já passaram pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), onde Mohamed El-Erian iniciou a carreira.

Os analistas passam o tempo todo analisando dados e balanços financeiros dos países, recalculando, preparando projeções e entrando com dados nos computadores. Quando não gostam do que veem, a Pimco imediatamente se retira.

Quando a Grécia foi aceita na zona do euro, esta era uma razão para a empresa adquirir títulos gregos. El-Erian diz que o sentimento dentro da Pimco era de que os gregos tinham conseguido entrar num clube de elite - e, portanto, Atenas respeitaria as regras. Em vez disso, concessões políticas foram feitas e as regras ignoradas. Isso, diz El-Erian, é que fez brotar o câncer na zona do euro.

Então por que os mercados não puniram antes a Grécia? Por que o mesmo critério dos títulos alemães foi usado para os gregos, até poucos anos atrás? Por que os mercados continuaram comprando títulos do país?

O desastre dos títulos gregos

Em 27 de abril de 2010, a dívida de um país foi rebaixada para nível especulativo (junk) pela primeira vez na história do euro. A Standard & Poor's rebaixou a nota dos títulos gregos para BB+, colocando a Grécia no mesmo nível do Azerbaijão e Egito, e pouco acima de países como Equador, El Salvador e Zimbábue. Marko Mrsnik escreveu que a dívida do governo grego precisava ser "reestruturada" - uma palavra bonita para indicar bancarrota.

Reestruturar implica um corte da dívida, de modo que os títulos gregos poderiam ser vendidos por apenas 30% do valor original. Os mercados consideram um rebaixamento o beijo da morte. Nesse momento, qualquer um de posse de títulos gregos no seu portfólio ficaria louco - ou mesmo um doador benévolo.

Mas o mercado não é nem louco nem benévolo. Logo que o rebaixamento foi anunciado, os títulos gregos foram despejados no mercado, provocando um mergulho no preço. Se o governo grego fosse negociar títulos com dois anos de prazo no mercado, teria de prometer aos compradores uma taxa de juros de 13%, bem mais alta do que os 6,3% pagos alguns dias antes. No caso dos títulos de 10 anos, a taxa subiu para mais de 10%.

Foi um choque para muitos bancos europeus. Depois da falência do Lehman Brothers, eles investiram vigorosamente em títulos governamentais, supostamente mais seguros. Mas agora não eram apenas os títulos gregos que eram considerados de risco. A confiança também diminuía com relação a Portugal, Irlanda, Espanha e mesmo Itália.

Temor nas capitais financeiras

O medo começou a se espalhar em áreas como Frankfurt e Londres. Os bancos europeus tinham investido mais de 700 bilhões em títulos governamentais dos cinco países afetados pela crise. E os bancos gregos detinham 50 bilhões em títulos do governo grego. Quando a nota dos títulos gregos foi rebaixada, também a dos bancos gregos foi reduzida, como parte de uma reação em cadeia que extrapolou as fronteiras da Grécia.

Grécia à deriva

A Grécia ficou à deriva numa tempestade de desconfiança, provocada pelas agências de classificação e reforçada pelos mercados financeiros. Quanto mais baixa a nota, fica mais caro refinanciar as dívidas, que vão se avolumando. Tudo isso se converteu numa oportunidade de ouro para os operadores de câmbio, fundos de hedge e especuladores. Eles podiam apostar na queda do euro e nos parceiros da zona do euro, que foram ao socorro dos gregos. Um dos instrumentos utilizados foi a swap de crédito (CDS), que a crise financeira já havia difundido pelo globo após a falência do banco Lehman Brothers.

Embora a finalidade das CDS seja proteger contra o risco de um calote de crédito, uma pessoa que detém títulos de governo pode também usá-las para especular. É como se ela estivesse adquirindo um seguro de proteção contra fogo de uma casa que não é sua. Ela pode, talvez, ter um grande interesse em que a casa realmente arda em chamas. Aqueles que adquiriram CDS para títulos gregos apostaram que os títulos perderiam valor. Se isso ocorresse, venderiam as swaps depois a um preço mais alto.

Um mercado paralelo de 26 trilhões em CDS se desenvolveu fora dos mercados oficiais. O ágio a ser pago para uma proteção contra um título do governo grego dobrou em poucas semanas e, atualmente, está dez vezes mais alto do que o ágio cobrado no caso de um título alemão.

Status especulativo (junk)

Em junho de 2010, a nota de crédito da Grécia foi rebaixada em mais quatro níveis, por causa do "considerável" risco econômico geral. Os títulos do governo grego passaram então para o status especulativo, considerados de "alto risco". Investidores na Grécia já tinham transferido seu dinheiro para Chipre, Malta e Suíça. A Grécia foi ejetada da família das nações solventes. Mas o efeito do rebaixamento também foi prejudicial para todo o projeto do euro, mesmo que a Europa tenha entendido que precisava reagir de maneira firme e decisiva e a crise grega tinha de ser controlada.

Essa opinião foi corroborada pela compra pelo Banco Central Europeu de 25 bilhões de títulos do governo grego somente um mês antes, em maio de 2010. O banco fez a operação para estabilizar os preços dos títulos e acalmar os mercados, mas a estratégia funcionou apenas por alguns dias.

A partir daí, o BCE compraria mais e mais títulos gregos - e o fez mesmo em 2011. Logo depois passou a comprar títulos portugueses, espanhóis e italianos. O banco estava abarrotando o próprio cofre, criado como baluarte da estabilidade do euro, um Fort Knox da nova moeda, de títulos podres. E, ao fazer isso, arruinava a credibilidade do euro.

Dúvidas sobre as origens do euro retornaram à superfície. Por que líderes da França, Alemanha e de outros nove países acreditaram que a maneira como a Grécia administrava sua economia era compatível com outras economias abrangidas pela moeda única? Como era possível que uma moeda fosse desenvolvida exclusivamente para os bons tempos e os períodos de crescimento, para ficar perigosamente em risco durante uma crise?

A greve dos caminhoneiros

Na Grécia, o mergulho do valor dos títulos governamentais provocou distúrbios porque a assistência financeira da União Europeia foi condicionada à implementação de medidas de austeridade e exigências de reformas duras. O governo tinha de reduzir o porte do setor público, que ficou inchado ao longo dos anos. E os mercados teriam de ser liberalizados para facilitar um maior crescimento do país.

Como caminhoneiro, Antonis Dimitriadis pertence a um grupo conhecido como "kleista epaggelmata", que abrange 70 profissões, uma curiosidade da lei trabalhista grega, incluindo advogados, tabeliães, arquitetos e motoristas de taxi. Profissionais dessas áreas vêm protestando desde o início das reformas, porque estão perdendo privilégios.

Dimitriadis foi um dos que protestaram no verão de 2010 contra o que considerou medidas de austeridade irracionais. As empresas de transporte rodoviário entraram em greve, o que levou a uma paralisação quase completa do país. Por oito dias, postos de gasolina ficaram sem combustível, enquanto os supermercados não tinham produtos frescos a oferecer. Dezenas de milhares de turistas tiveram dificuldades para retornar a seus países, voos foram adiados e navios não puderam deixar o porto.

Existem 33.500 licenças expedidas para caminhoneiros independentes como Dimitriadis. Elas foram concedidas pela junta militar que governou o país na década de 70, mas depois disso nenhuma outra foi emitida, embora a economia grega seja agora quatro vezes maior do que naquela época.

Uma licença de trabalho como caminhoneiro se converteu num meio de vida e até num plano de aposentadoria. Quando um caminhoneiro se aposenta, ele vende a licença para quem fizer o lance mais alto, e licenças para conduzir um caminhão-tanque já foram vendidas até por 350 mil. Mas agora, com base nas medidas de austeridade ditadas por Bruxelas e Washington, essas licenças vão ser liberadas para qualquer pessoa a partir de 2014, o que naturalmente fez com que o valor despencasse. Hoje a licença de conduzir de Dimitriadis vale entre 12 mil e 15 mil.

Ele recebeu a licença, que lhe garantiu uma profissão, de presente do pai em 1993, para quem trabalhou desde os 13 anos. Limpava o caminhão, enchia o tanque de gasolina e acompanhava o pai pela Grécia inteira, como faz hoje o seu filho de 11 anos, Manolis. Naturalmente, Dimitriadis cuidou do pai depois que este lhe passou as chaves do caminhão, e espera isso do próprio filho.

Família é tudo na Grécia, um país com estruturas trabalhistas quase arcaicas que foram consolidadas em lei na forma de um elaborado sistema de regras e regulamentos. Como resultado, as empresas familiares permaneceram o DNA da economia grega. Da população ativa de 4,4 milhões, aproximadamente 1,5 milhão trabalha para o governo, enquanto outras 1,5 milhão de pessoas estão empregadas em pequenas empresas com até nove funcionários ou então são autônomas.

À beira de um ataque de nervos

A greve dos caminhoneiros provocou enormes danos para a imagem da Grécia em todo o mundo. Até o verão de 2010, a crise grega permanecia um fenômeno relativamente abstrato para o público global, analisada principalmente nas páginas de economia dos jornais. Mas agora há imagens usadas pela mídia retratando um país à beira de uma crise de nervos, imagens de turistas irados, prateleiras vazias e barricadas nas ruas, soldados conduzindo caminhões de querosene, gasolina e diesel.

Com receitas fiscais de menos de 30% do PIB, a Grécia tem a segunda menor taxa de arrecadação de impostos dos países da zona do euro. A Fundação para Pesquisa Econômica e Industrial, em Atenas, estima que as vendas anuais no mercado negro são de 59 bilhões - um quarto da economia oficial.

Os estrangeiros podem discordar discordar da posição dos gregos, sua teimosia e atraso, sua maneira de fazer negócios em geral, estranha aos sistemas econômicos da Europa central e do norte. Mas devem ficar ainda mais perplexos com os políticos e as pessoas envolvidas nas áreas econômicas da Europa e os anos que passaram fechando os olhos, reprimindo e negando as realidades da economia grega.

O futuro do euro

Por que Jacques Delors, um dos fundadores da moderna Europa, ainda acredita na moeda comum? Por que o economista Kenneth Rogoff acha que este pesadelo é real? E por que Mohamed El-Erian, presidente da maior corretora de títulos do mundo, diz que não aposta no desaparecimento do euro? O que ocorrerá na Europa nas próximas semanas e meses tem muito a ver com a Grécia, mas também tem a ver com algo bem separado do drama de Atenas. De acordo com o economista americano Kenneth Rogoff, o que começou em Nova York não foi uma recessão normal, embora algo mais severo, mas uma "grande contração" do tipo que sucede apenas uma vez a cada 75 anos na história econômica global.

Na sua opinião, é por isso que a crise da Europa, que teve início com uma crise de confiança, transformou-se numa crise de endividamento e liquidez e acabou levando a múltiplas crises de solvência, não acabou. Nenhum empréstimo no mundo, não importa o seu porte, salvará Grécia ou Portugal, e provavelmente nem a Irlanda. E a Itália também é muito preocupante.

Esparadrapo onde é

necessária uma cirurgia?

Se essa conclusão for correta, isso significa que o novo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), criado para socorrer países da zona do euro, é inútil. Que a nova política do BCE, financiando as dívidas nacionais de países, fracassará. E significa também que os líderes europeus, à medida que correm de uma reunião de crise para outra, estão meramente utilizando esparadrapos onde uma cirurgia dos órgãos internos da UE é necessária. De acordo com Rogoff, a Grécia está tão insolvente que só terá um futuro se 50% a 75% da dívida do governo for contabilizada como perda e cancelada, e a situação na Irlanda e em Portugal não é muito diferente.

Se um remédio forte não for administrado agora, diz El-Erian, não obstante seus efeitos secundários adversos, a infecção logo atingirá o coração e o cérebro da Europa: França e Alemanha.

De qualquer maneira, afirma Rogoff, o projeto euro está numa encruzilhada. Ou os parceiros europeus entram numa união obrigatória, um casamento à força, ou a união será rompida cedo ou tarde. E naturalmente é questionável se a população da Europa está disposta a uma união tão pouco romântica".

Os alemães, diz o economista, têm um papel crucial no caso. E se eles desejam salvar a Grécia, devem examinar seriamente a situação. Precisam prestar atenção na Itália, onde a região norte do país vem pagando a conta do sul há 90 anos. E precisam também se perguntar se estão dispostos a pagar as contas da Grécia nos próximos 90 anos.

Um risco que beira a loucura?

"É o que pode ocorrer quando se fala numa 'união de transferências'. Certamente é possível. A Alemanha provavelmente tem solidez suficiente para pagar todas as contas, e possivelmente até o nível de 150% da própria produção econômica, e os mercados de algum modo vão cooperar. A Alemanha seria então o país 'super europeu' e todos adorariam os alemães. Mas, para ser honesto, para os alemães este seria um risco que chega às raias da loucura."

Quando os políticos lhe pedem conselhos, Rogoff sugere que se faça inicialmente um corte da dívida o mais rápido possível. Para evitar somente tirar os países atingidos de uma situação limite, a Europa precisa encontrar um meio de lidar com os Estados falidos.

Para Rogoff, os europeus devem garantir as dívidas do governo central de um país, mas nada mais do que isso. No caso da Irlanda, nenhuma garantia seria dada aos bancos. E, na Espanha, isso significaria que as imensas dívidas de cidades, como Barcelona, seriam problema do governo local. Quanto à Grécia, somente as despesas mais críticas do governo seriam assumidas. E significará também que a Europa passará por um período difícil. No entanto, um especialista americano em crises financeiras, políticos europeus como Jacques Delors mantêm a visão de uma grande Europa. Delors, um dos fundadores da moderna Europa, não imagina o fim da zona do euro. "Seria caro demais e acho que ninguém quer assumir esse risco".

Duas opções para salvar o euro?

As propostas para resolver a crise do euro são muitas - reduzir a dívida com ou sem retirada da zona do euro, um ministro de Finanças europeu ou mesmo um governo econômico europeu -, mas são pouco mais do que uma expressão da ignorância dos economistas e políticos. Não existem precedentes no caso desta crise. Os políticos europeus manipularam seus concidadãos e chegaram a uma situação sem paralelos. E uma situação que assusta alguns deles mais do que alarma seus eleitores, porque sabem que esses eleitores ainda nem suspeitam do que se trata.

No final, restam apenas duas possibilidades: uma união de transferências de recursos, em que os países fortes pagarão pelos fracos; ou uma união monetária menor, uma espécie de Europa central formada somente por economias em situação relativamente comparável.

Uma união de responsabilidade e transferência de recursos exigiria novas instituições políticas e os países, individualmente, teriam de conferir parte significativa dos poderes para Bruxelas. Alguns políticos começam a se animar com essa ideia, imaginando um governo econômico ou mesmo uma forma de Estados Unidos da Europa, mas sem explicar exatamente o que isso significa.

A segunda possibilidade é a mais provável. Não será mais fácil e pode não ser menos dispendiosa. Em primeiro lugar, uma barreira deveria ser erigida entre os países que estão de fato insolventes e sem conseguir resgatar suas dívidas, como a Grécia, e outros que estão apenas com problemas de liquidez a curto prazo. Depois, os bancos teriam de receber recursos de governos de modo que o sistema financeiro não entre em colapso no momento em que os bancos forem obrigados a contabilizar como prejuízo alguns títulos governamentais nos seus balancetes.

Finalmente, o país que sair da zona do euro exigirá um suporte continuado, porque a Europa não pode simplesmente deixar que países como a Grécia descambem para o caos.

Não parece não ser perigoso

A vontade de Horst Reichenbach será necessária em qualquer caso. Em sua primeira viagem pelos gabinetes dos ministros de Atenas, o diretor da força-tarefa da UE embarcou numa batalha contra 10 anos de má administração, 100 anos de atraso e 3 mil anos de história. Reichenbach é um matemático, economista e tecnocrata com décadas de experiência na burocracia de Bruxelas e, no geral, um homem tranquilo, com uma aura de extremo profissionalismo e austeridade estética. Ele é um enviado do futuro.

Enquanto aguarda o elevador, ele diz que se sente sempre "extremamente bem-vindo" onde quer que vá. Atribui isso ao fato de ser o "bom menino" nesse jogo, ao passo que os representantes da chamada troica, formada pela Comissão Europeia, FMI e BCE, que estão ali para monitorar o cumprimento das exigências, são recebidos "menos favoravelmente".

Quando anda por Atenas, o que vê parece uma dinâmica cidade europeia por trás das janelas escuras do seu Renault Espace azul-marinho, veículo oficial da força-tarefa. Num determinado ponto ele tem de reduzir a marcha, pois a rua está bloqueada. Lentamente manobra para passar por um carro pegando fogo diante da Embaixada dos Estados Unidos. E diz: "Opa!" Mas então, olha pelo vidro e conclui: "Isto não parece não ser perigoso". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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