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Qual o futuro do corretor de seguros?

Hoje eles são o principal canal de distribuição de apólices, mas, em função da evolução da sociedade, isso pode mudar. Não discutir o futuro desse profissional é um erro

Antonio Penteado Mendonça, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2011 | 00h00

A atividade seguradora brasileira anda extremamente acelerada. Em 2010, foram batidos todos os recordes de faturamento, pagamento de indenizações e número de resseguradoras instaladas no País.

Além disso, o mercado tem discutido acaloradamente a respeito de temas como as grandes obras de infraestrutura a serem realizadas nos próximos anos, criação de uma seguradora estatal, criação de uma agência reguladora, modificações pesadas nas regras do resseguro, redefinição das companhias em operação no País, entre outras.

Como se não bastasse, surgiu o problema dos riscos declináveis, que de verdade não são novidade, mas agora atingem seguros que eram feitos há décadas, deixando alguns segmentos econômicos praticamente sem proteção de seguro.

O que ninguém tem comentado é qual o futuro do corretor de seguros. Hoje, os corretores são o principal canal de distribuição de apólices, mas isso, em função da evolução da sociedade brasileira, pode mudar.

Então, não discutir o papel desse profissional no novo cenário é um erro, porque os corretores de seguros têm um espaço da maior importância para crescerem ao longo dos próximos anos. Não porque não terão concorrência de outros canais de distribuição, mas, acima de tudo, porque conhecem o mercado brasileiro como muito pouca gente conhece.

A sociedade brasileira ainda tem pouca intimidade com a atividade seguradora. Os prêmios arrecadados, apesar do significativo crescimento ao longo dos últimos 15 anos, não chegam a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, o faturamento está bem abaixo do porcentual das sociedades latinas mais desenvolvidas.

Como se não bastasse, o brasileiro trata o tema de forma muito especial, o que faz com que as apólices nacionais sejam diferentes das comercializadas nos países mais desenvolvidos, diminuindo a possibilidade da implantação de apólices estrangeiras simplesmente traduzidas para o português.

De forma lógica, mas inesperada, a abertura do resseguro teve como primeira consequência a revisão das políticas de aceitação de risco, com várias restrições inéditas complicando a vida de muita gente. Mas este cenário não deve se perpetuar. Pelo contrário, uma atividade com mais de 80 companhias, e com outras tantas resseguradoras, tem espaço para o desenvolvimento de novos produtos aptos a garantirem as coberturas hoje negadas.

É neste momento que o corretor de seguros profissional passa a correr junto com os melhores seguradores. Ele conhece melhor o mercado, conhece o segurado, as tipicidades da sua região, os produtos oferecidos - seus pontos fortes e fracos.

Por conta da padronização do mercado, enfeixado em "pacotes" de todos os tipos, várias seguradoras perderam contato com as efetivas necessidades de proteção da sociedade brasileira. Outras foram adquiridas por grupos internacionais que não conhecem o dia a dia da nação, nem as rotinas que necessitam de proteção.

Finalmente, o terceiro grupo é formado por empresas internacionais que se instalaram diretamente por aqui e que também não conhecem os segredos do setor.

Para crescer de forma consistente, todas necessitam criar parcerias com corretores confiáveis, com os quais possam discutir as melhores formas de atuação para otimizar seus resultados. Sem eles, várias delas demorarão tempo demais para lançarem produtos competitivos. E, em tempos de segmentação por companhia, a simples cópia do que é feito pela concorrência não é mais uma solução e pode bem custar caro para aqueles que insistirem na prática.

De outro lado, cabe aos corretores de seguros se prepararem e, se for o caso, buscarem os primeiros contatos. Vale lembrar que as seguradoras costumam se julgar importantes e gente importante gosta de ser procurada.

Como a mola por trás do cenário é a atividade profissional e, nesta, o que importa é ganhar honestamente o seu dinheiro, não é hora de falso orgulho. Quem sair na frente leva vantagem. No Brasil de hoje, cada minuto faz diferença.

SÓCIO DA PENTEADO MENDONÇA ADVOCACIA, PRESIDENTE DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS E COMENTARISTA DA RÁDIO ESTADÃO ESPN

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