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Qual o melhor Android?

Ao longo do último semestre, usei pelo menos dois smartphones distintos por mês. O objetivo era simples: compreender o estado da plataforma Android e descobrir quanta diferença real há entre os aparelhos de ponta.

Pedro Doria, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2016 | 05h00

É possível, afinal, dizer qual o melhor Android? Era também uma pergunta pessoal. Depois de oito anos, deixei de usar iPhones. O Google deu um salto tecnológico quando comparado à Apple.

Duas marcas claramente dominam o espaço. São Motorola e Samsung. Há outros bons aparelhos. Um vai trazer uma câmera particularmente boa, o outro talvez tenha uma cor simpática. Mas, no conjunto da experiência, essas duas estão muito à frente. Elas têm um concorrente de peso surgindo. É o próprio Google, que entrou no ramo dos aparelhos com seu Pixel, lançado em outubro. Não há, porém, qualquer indício de que a empresa pretenda trazê-lo para o Brasil. Ao menos, não tão cedo.

Não é difícil perceber a predominância. Quem gosta de Samsung defende a marca, quando troca de aparelho se mantém ali. A Motorola atrai fidelidade equivalente. As outras simplesmente não despertam a mesma reação. Ainda assim, são propostas distintas e atraem sensibilidades muito diferentes. Em uma frase que simplifica tudo: a Samsung é hardware e, a Motorola, software.

Um sistema operacional como o Android traz 90% do trabalho feito. Os 10% finais tratam da relação entre o sistema e o aparelho. Nisto, os aparelhos Motorola são de uma elegância minimalista. Está tudo nos detalhes. Passe a mão sobre a tela do celular à mesa sem nem encostar e ela já ilumina mostrando os ícones dos apps que têm notificações. Um gesto de segundos que o usuário se flagra repetindo inúmeras vezes por dia e que poupa tempo. Não é preciso pegá-lo para decidir se há algo a ser lido.

A Motorola tomou a decisão de produzir aparelhos que se aproximam o mais possível da visão pura do Google. São todos, aparelhos solidamente construídos. A linha Moto Z, mais recente, permite o intercâmbio da parte de trás para ampliar a funcionalidade. Uma câmera de ponta aqui, uma bateria extra ali. (E baterias extras são sempre bem-vindas.)

Mas é a simplicidade de uso e a discrição da interface, os pequenos detalhes que encurtam passos no cotidiano, que fazem de seus usuários fiéis.

A elegância da Samsung, por outro lado, está nos aparelhos. Nenhum smartphone que usa Android no mercado brasileiro tem design tão arrojado quanto o Galaxy S7 Edge. É uma pena que sua versão maior, o Note 7, tenha dado problemas na bateria. Por certo atingiu duramente a imagem da empresa – e não à toa. Mas a tela que acompanha a curvatura ligeira das bordas faz um aparelho bonito e confortável de segurar. Foi também a empresa que saiu na frente da corrida pela realidade virtual, oferecendo os óculos Gear, em que o celular se acopla.

Outra nítida vantagem da Samsung são suas câmeras, principalmente quando há pouca luz. Claro, o Moto Z pode ser acoplado a uma câmera Hasselblad imbatível. Mas o extra sai por R$ 1,5 mil além do aparelho, que já custa mais de R$ 3 mil. É um luxo.

A desvantagem da Samsung está em sua decisão de interferir na cara do Android para dar-lhe uma personalidade própria. Muitas cores, pouco ganho. É verdade que basta instalar o Google Now para que uma aparência mais próxima do original assuma o aparelho. Mas é nitidamente uma adaptação, não acompanham os detalhes Motorola que simplificam o uso. No fim, quem usa Samsung se acostuma. Mas, no convívio com ambos, a diferença fica clara.

Não há um melhor do que o outro, são diferentes e atraem usuários que valorizam aspectos muito próprios de um celular.

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