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Antônio Penteado Mendonça
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Qual o pior risco?

Seguros para riscos cibernéticos estão com demanda aquecida

Antonio Penteado Mendonça*, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 05h00

A pandemia do coronavírus custa uma fortuna por dia. Até agora, bilhões de dólares já foram perdidos apenas com as empresas que fecharam. Se somarmos todas as atividades econômicas que deixaram de existir ou tiveram uma queda acentuada, são outros bilhões de dólares. Se somarmos o custo do desemprego, temos de novo esta ordem de grandeza. E se levarmos em conta os custos sociais decorrentes do empobrecimento e do aumento da miséria, teremos de novo alguns bilhões de dólares. A soma de bilhões de dólares com bilhões de dólares tem como resultado muitos bilhões de dólares. E estes são os custos diretos. Quanto foi gasto em pesquisa, boa parte sem resultados animadores, ao redor do planeta?

Desde a Segunda Guerra Mundial, o mundo não vive uma época como esta, com custos gigantescos desequilibrando países, quebrando empresas, empobrecendo bilhões de pessoas, reduzindo o comércio internacional, e com um vírus matando sem compaixão, como é o caso do coronavírus.

O ser humano se defende como pode. Nunca na história da humanidade a busca por uma vacina atingiu patamares vagamente semelhantes aos que se vê hoje. E, com um pouco de sorte, o esforço será compensado. Alguns países começam a vacinação em massa de suas populações, mesmo as vacinas existentes não estando completamente aprovadas. O uso emergencial da vacina faz sentido. Ainda que seu poder não seja o ideal, algum benefício ela trará, nem que seja a redução da velocidade de contaminação e da taxa de mortalidade.

Mas, se o médio prazo tem fortes chances de estar controlado, o longo prazo segue caminho inverso. As previsões do aumento da frequência e da violência das novas pandemias são cada vez mais frequentes, o que aumenta a certeza de que elas ocorrerão e que o ser humano pagará uma conta muito mais alta do que a atual.

De outro lado, as mudanças climáticas estão aí e seu potencial de dano é ainda maior do que o das pandemias. O aumento da frequência e da severidade dos eventos de todas as naturezas faz parte das rotinas do mundo. Furacões, tufões, tornados, tempestades tropicais, granizo estão no dia a dia das nações e causam cada vez mais danos. Mas não são apenas eles que chegam fácil na casa dos bilhões de dólares. As consequências dos fenômenos são devastadoras, especialmente as enchentes, as secas e os incêndios que atingem inclusive áreas que, até poucos anos atrás, nunca tinham apresentado maiores problemas, em função dos fenômenos de origem climática.

E os estragos ainda estão no começo. A tendência é que se agravem consideravelmente, sem que haja qualquer coisa que possa ser feita, no curto prazo, para reverter o quadro. O dado realmente cruel é que esses fenômenos atingem principalmente as camadas menos favorecidas da população do planeta, justamente as que, por falta de condições econômicas, se instalam nas áreas de risco, ficando sujeitas a suportar a violência dos eventos, sem terem muitas chances de fugirem ou ao menos reduzirem seus prejuízos.

E, para quem acha que está bom, ainda temos um terceiro grupo de riscos capaz de gerar prejuízos astronômicos. Os riscos cibernéticos. Os ataques aos sistemas de informática do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior Eleitoral e do Tribunal Federal da 1.ª Região não deixam dúvidas da capacidade de causar danos que esses ataques podem ter e da vulnerabilidade do Brasil frente a eles.

Mas, se os ataques podem ser devastadores, as falhas, além de mais frequentes, podem causar danos tão grandes quanto eles. Mais uma vez, é só olhar as duas situações acontecidas no Ministério da Saúde para o quadro ficar claro. Na primeira, 16 milhões de pessoas ficaram com seus dados expostos. Na segunda, a conta atingiu a impressionante soma de mais de 200 milhões, ou seja, toda a população brasileira teve seus dados expostos por falha ou sabotagem interna em programas altamente sensíveis.

E o risco é o mesmo para as empresas privadas. Invasões e falhas estão aí, acontecendo todos os dias. Suas consequências podem ser fatais para uma empresa, tanto faz seu porte. Não é por outra razão que os seguros para riscos cibernéticos estão com a demanda aquecida, mas ela ainda está longe de proteger minimamente as empresas instaladas no Brasil. 

*SÓCIO DE PENTEADO MENDONÇA E CHAR ADVOCACIA  E SECRETÁRIO-GERAL DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

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