Qual país vai puxar a recuperação da economia global?

BBC preparou uma seleção das principais economias do mundo com suas perspectivas de tomar as rédeas do crescimento econômico mundial.

Kimiko de Freytas-Tamura, BBC

20 de julho de 2012 | 13h19

No rescaldo da crise financeira global, países como Alemanha, China e Brasil foram os motores que mantiveram a economia global em expansão. Mas, dados recentes de seu desempenho sugerem que eles estão perdendo força.

O Banco Mundial prevê uma recuperação econômica branda, com um crescimento global médio na casa de 2,5%.

Mas dentro desse cenário há uma clara diferença entre países em desenvolvimento, que devem crescer cerca de 5,3%, e economias desenvolvidas, onde a taxa média deve ser de 1,4%.

Já o FMI espera um crescimento global na casa dos 3,5%. Para o órgão, economias em desenvolvimento devem crescer 5,6% enquanto os países desenvolvidos devem atingir taxas de 1,4%.

Leia abaixo uma seleção de condições e perspectivas para as principais economias do mundo. Qual deverá ser a nação capaz de puxar a recuperação da economia global?

China

No segundo trimestre deste ano, seu crescimento diminuiu para 7,6%. A meta de crescimento anual caiu para menos de 8% pela primeira vez nos últimos dez anos.

O crescimento do PIB no segundo trimestre aponta para continuidade da desaceleração da potência asiática.

O crescimento caiu para 7,6% no período entre abril e junho - seu pior ritmo desde o início da crise global e abaixo da expectativa anual do governo e do FMI (Fundo Monetário Internacional), de 8%.

O país é considerado o maior mercado de exportação para muitas empresas - como BMW, Carrefour e Burberry - e a desaceleração deve prejudicá-las.

O arrefecimento do crescimento na China e na Índia indica que os países de toda região asiática devem seguir pelo mesmo caminho de desaceleração (exceto pela Tailândia e pelas Filipinas, que se beneficiam de custos mais baixos de mão de obra e atraíram empresas estrangeiras).

Em março, Pequim reduziu sua meta de crescimento anual para 7,5% - sendo que desde 2004 o índice não caía para um patamar menor que 8%.

Além disso, recentemente, o Banco Central da China cortou as taxas de juros duas vezes em menos de um mês - com o objetivo de sustentar o crescimento.

A China gozava de um superaquecimento de sua economia impulsionado por uma bolha imobiliária e por investimentos do governo em projetos de infra-estrutura.

A economia chinesa está agora sobrecarregada com excesso de capacidade, aumento da dívida e acúmulo de estoques nos armazéns.

Zona do euro

Taxa de desemprego: 11,1% Mais de 3 milhões de de pessoas com idades entre 15 e 24 anos estão desempregadas A economia da zona do euro deve retrair 0,3% neste ano O PIB da Alemanha deve crescer 1% neste ano, segundo o FMI

A zona do euro está dividida entre os países nortistas relativamente mais ricos (Alemanha, Holanda, Finlândia e França) e os sulistas atolados em crises (Grécia, Itália, Portugal e Espanha).

O euro atingiu seu patamar mais baixo em dois anos em relação ao dólar. Os investidores se preocupam com resultados fracos e planos de resgate para países em crise - incluindo o mais recente, que pretende salvar os bancos da Espanha.

O Banco Central Europeu pela primeira vez reduziu valores de taxas para menos de 1%, em uma tentativa de incentivar empréstimos corporativos e domésticos.

Para tranquilizar investidores, a Espanha anunciou uma nova rodada de medidas de austeridade que incluem aumento de impostos e cortes de gastos.

Até a Alemanha, que gozou de baixos índices de desemprego graças à sua competente indústria manufatureira, foi incapaz de se manter longe da crise da dívida que assola a região.

Atualmente, até seu mercado de trabalho vem demonstrando desenvolvimento mais lento. O índice de desemprego aumentou por três meses consecutivos, atingindo 6,8% em junho.

Enquanto isso, as exportações alemãs para a China, que atingiam dois dígitos, agora estão em 6%.

Estados Unidos

Os EUA enfrentam um "abismo fiscal" com o fim das reduções fiscais A taxa de desemprego está em 2% O PIB deve crescer 2% em 2012

A economia dos EUA teve um crescimento de apenas 80 mil empregos em junho - o que indica uma fraqueza persistente no mercado de trabalho, fator que pode prejudicar as chances de reeleição do presidente Barack Obama.

A taxa de desemprego ficou presa em 8,2% (para os negros chegou a 14,4%).

Como os países europeus, os EUA acumulam dívidas que chegam a 70% de seu PIB.

O país também se aproxima de um "abismo", na medida em que combina aumento de impostos e cortes de gastos programados para o próximo ano.

O resultado deve ser uma recessão provocada pela austeridade. Segundo o senador democrata Max Baucus, essa política pode levar a uma crise fiscal semelhante à vivenciada pela Europa.

Além disso, semelhante às divergências que ocorrem na zona do euro, republicanos e democratas têm sido incapazes de chegar a acordo sobre um plano para evitar o resultado desanimador.

Segundo projeção do FMI, a economia americana deve crescer 2% neste ano - índice mais baixo que o esperado em outras economias desenvolvidas, como o Japão (2,4%) e o Canadá (2,1%).

Para estimular o crescimento, os EUA têm tomado medidas pouco ortodoxas como a operação Twist, um programa de compra de títulos que visa derrubar o valor das hipotecas e das taxas de empréstimo.

Brasil

O FMI prevê crescimento do PIB de 2,5% em 2012 A inadimplência de empréstimos aumentou para 6% em maio

Gastos governamentais e exportação de commodities, como soja e minérios, para países da Ásia impulsionaram o Brasil para a posição de 6º economia do mundo.

Mas o alto ritmo de crescimento, que chegou a atingir 7,5% em 2010, parece ter perdido a força.

A economia estagnou em maio, após uma queda inesperada de vendas no varejo - tornando o desempenho do Brasil o pior entre os Brics.

O FMI prevê para o país um crescimento de 2,5% neste ano - índice inferior à média mundial de 3,5%. O Banco do Brasil espera um resultado abaixo de 2,5%.

A queda nas vendas do varejo deu origem a temores sobre o modelo de crescimento puxado pelo consumo interno, que vem sendo incentivado por rendas maiores e crédito fácil.

A quantidade de empréstimos não pagos atingiu um pico em maio, mostrando como os brasileiros estão lutando cada vez mais para manter suas dívidas sob controle.

Isso levou o Bando Central a reduzir a taxa de juros para 8% (a oitava queda consecutiva).

Índia

A inflação atingiu o patamar mais alto entre os Brics A produção industrial cresceu 2,4% em maio

A economia da Índia cresceu a uma taxa anual de 5,3% entre janeiro e março, seu ritmo mais lento em nove anos.

A inflação tem sido uma das maiores preocupações dos formuladores de políticas da Índia nos últimos dois anos.

O Banco Central indiano tomou várias medidas na tentativa de controlar o aumento dos preços, incluindo treze aumentos da taxa de juros desde março de 2010.

De acordo com dados divulgados na semana passada, o índice de preços no atacado da Índia (a principal medida de preços ao consumidor no país) subiu 7,55% em maio em relação ao ano anterior - o índice mais elevado entre os Brics.

Analistas afirmam que a combinação de desaceleração do crescimento e alta inflação tornou difícil para o Banco Central do país formular suas políticas. Cortes nas taxas de juros poderiam estimular o crescimento, mas devem tornar a inflação pior.

O PIB do país crescerá 6,1% em 2012, segundo o FMI. O governo se comprometeu a atrair mais investimento estrangeiro e acelerar projetos de infra-estrutura e energia.

Japão

O país está se recuperando das grandes catástrofes do ano passado Os exportadores estão preocupados com os problemas da zona do euro e com a desaceleração da economia americana O crescimento do país neste ano deve chegar a 2,4%, segundo FMI

O Japão, que chegou a ser a segunda economia do mundo, está se recuperando do terremoto seguido de tsunami e da crise nuclear do ano passado.

Dados recentes mostraram que o Japão, um dos principais exportadores do mundo, não estava exportando tanto quanto costumava.

Na verdade, estava importando massivamente - incluindo um gasto adicional com energia devido à paralisação das centrais nucleares.

A moeda forte também prejudicou os exportadores, pois tornou seus produtos mais caros para compradores estrangeiros.

Porém, o ânimo do país está melhorando. A pesquisa Takan mostrou que a indústria manufatureira está menos pessimista em relação aos negócios.

O FMI prevê um crescimento de 2,4% para o país em 2012 e 1,5% em 2013. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
topcrescimentoFMIpaísesrecuperação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.