Qualcomm fará chip para 4G nacional

Empresa espera garantir escala mundial a equipamentos produzidos no País

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2012 | 03h09

A Qualcomm vai desenvolver chips para smartphones de quarta geração (4G) que operem em todas as faixas de frequência estudadas pelo governo brasileiro para essa tecnologia. Enquanto na maior parte do mundo os dados em 4G trafegam em 700 mega-hertz (MHz), o Brasil licitou a faixa de 2,5 giga-hertz (GHz) para a quarta geração.

O anúncio foi feito pelo presidente global da companhia norte-americana, Paul Jacobs, após reunião com a presidente Dilma Rousseff e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. A intenção é dar uma escala mundial a chips que operem nas frequências brasileiras, o que baratearia a produção de smartphones, tablets e modems no País.

Segundo Paulo Bernardo, a Anatel está desenvolvendo estudos na faixa de 700 MHz que devem estar concluídos até o fim do ano. Atualmente, essa faixa é usada no Brasil para transmissão da TV analógica, cujo fim está previsto para 2016, mas pode ser antecipado em algumas regiões, que já migram para o formato digital. Outra faixa que poderia ser aproveitada para o 4G é de 450 MHz, que já foi leiloada pelo governo para a implantação da internet móvel rural. Em ambas as tecnologias, a vantagem é a necessidade de instalação de um número menor de torres devido ao maior alcance dessas frequências.

Atualmente, a faixa de 700 MHz é adotada nos Estados Unidos e a de 2,5 GHz, na Europa. A faixa de 450 MHz seria uma novidade brasileira.

A intenção do governo brasileiro de fazer uma nova licitação de 4G no próximo ano tem criado polêmica. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) divulgou um comunicado em que classificou a proposta como "preocupante".

"Alertamos que a medida pode comprometer o acesso de uma grande parcela da população ao sinal dos canais de televisão aberta, que chega a 96% dos domicílios brasileiros, com conteúdo livre e gratuito", argumentou a associação.

Investimento. A Qualcomm está construindo um centro de pesquisa e desenvolvimento em São Paulo que deve começar a tocar os primeiros projetos no início de 2013. "Estamos contratando, por enquanto, menos de 100 pessoas, mas o mais importante é o valor multiplicativo do projeto. Não somos fabricantes, mas geradores de tecnologias", disse Jacobs.

Segundo ele, a CCE foi a primeira companhia nacional a firmar acordo com a Qualcomm e em breve outras devem ser anunciadas. O executivo destacou parcerias semelhantes da Qualcomm na Coreia do Sul e na China que ajudaram a alavancar a indústria de dispositivos móveis nesses países.

"Queremos trabalhar também com o governo brasileiro na fabricação de dispositivos voltados para a melhoria dos serviços de saúde e educação, por exemplo. O uso da tecnologia móvel nas escolas pode melhorar o desempenho de alunos e professores", disse Jacobs, que afirmou que a empresa também trabalha em um projeto de monitoramento do desempenho de atletas para a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.

A Qualcomm também lançou este ano um campeonato de empresas iniciantes no País. Ela trouxe para o Brasil seu braço de investimentos, chamado Qualcomm Ventures, e lançou a versão latino-americana do Qprize. Cada vencedor regional receberá um investimento de US$ 100 mil, e participará de uma disputa com os escolhidos em outras partes do mundo por um aporte adicional de US$ 150 mil.

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