Qualidade do emprego melhora, mas desigualdades continuam

Pesquisa do IBGE aponta aumento da formalização do País; diferença de renda, porém, ainda é grande

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

24 de janeiro de 2008 | 12h15

A qualidade do emprego no País melhorou entre 2003 e 2007, segundo estudo comparativo sobre o mercado de trabalho divulgado nesta quinta-feira, 24, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a pesquisa, "a desocupação nunca esteve tão baixa e a formalização, tão alta". As melhorias, porém, não garantiram a diminuição da desigualdade de renda no País.  A renda média dos trabalhadores brancos, por exemplo, ainda é o dobro da dos negros e pardos. De acordo com os dados, enquanto o primeiro grupo recebeu, em média, R$ 1.453,91 por mês em 2007, o segundo teve renda mensal de R$ 721,78. No ano passado, o rendimento dos trabalhadores pretos ou pardos, em quatro anos, cresceu 11,4%, enquanto o rendimento dos trabalhadores de cor branca cresceu 8,8%.  Na comparação entre os sexos, o rendimento das mulheres, estimado em R$ 927,09, continua sendo inferior ao dos homens (R$ 1.314,43). Em 2007, comparando a média anual dos rendimentos dos homens e das mulheres, verificou-se que, em média, as mulheres ganham em torno de 70% do rendimento recebido pelos homens. A média anual do rendimento médio mensal dos homens em 2007 cresceu 3,3%, mesma variação encontrada para as mulheres. Em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo a variação do rendimento das mulheres, de 2006 para 2007, superou a dos homens. Em Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre, deu-se o contrário. Carteira assinada De acordo com o instituto, enquanto na média de 2007 os ocupados com carteira assinada representavam 42,4% da população ocupada total, em 2003 esse porcentual era menor, de 39,7%. Houve queda significativa também na taxa de desemprego, que chegou a 12,3% em 2003 e recuou para 9,3% na média de 2007, a menor taxa anual da série histórica do instituto, iniciada em 2002. De 2003 a 2007, ainda de acordo com o IBGE, o rendimento médio real dos trabalhadores teve aumento acumulado de 7,7%, sendo que a maior variação anual foi apurada em 2007 (aumento de 3,2% ante 2006). Ainda no período pesquisado, houve um aumento da participação de trabalhadores com mais de 50 anos de idade no mercado de trabalho, passando de 16,8% do total de ocupados, em 2003, para 19,1% em 2007. No mesmo período, o porcentual de ocupados na faixa de 18 a 24 anos de idade diminuiu de 16,8% para 15,6%. Além disso, o contingente de trabalhadores que contribuem para a Previdência, que era de 61,1% dos ocupados em 2003, subiu para 64,1% em 2007.

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