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Renato Cruz
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Quando as coisas vão mal

O noticiário de negócios é cheio de casos de sucesso, como se a vida do empreendedor fosse fácil. Mas talvez mais importante do que analisar os fatores que levam a bons resultados seja mostrar aquilo que pode trazer problemas para a empresa. Um estudo recente de pesquisadores da Universidade de São Paulo apresentou um caso real de startup que fracassou, analisando-o com base no recomendado pela literatura especializada. Leandro Fraga, Sérgio Zacarias, Selma Oliveira e Roberto Sbragia estudaram a trajetória de uma empresa brasileira de computação em nuvem, que conseguiu investimento internacional e desenvolveu seu produto, mas não foi capaz de conquistar os clientes que seu plano de negócios projetava.

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2013 | 02h09

Um dos pesquisadores foi executivo e acionista minoritário da companhia, que é chamada, no estudo, de Mcompany S.A. Não é o seu nome verdadeiro. Desde a sua criação, em 2005, até o ano passado, a companhia recebeu R$ 12 milhões em investimento. Atualmente, alguns acionistas tentam levantar um novo investimento para reativá-la. O sistema que desenvolveu continua funcionando, mas já não existe nenhum funcionário dedicado integralmente à operação.

O paper mostrou que, no confronto da realidade com os manuais de administração, a teoria está certa, mas pode ser muito difícil colocá-la em prática e identificar os problemas no momento em que acontecem. A Mcompany desenvolveu um sistema de desktop virtual, em que todas as aplicações do usuário rodavam em servidores. Com isso, as pessoas poderiam acessar seus programas e informações de qualquer máquina, e as equipes de tecnologia teriam mais facilidade para atualizar software e garantir a segurança da informação.

Na prática, a empresa acabou percebendo, a duras penas, que, apesar de computação em nuvem ser uma área quente, seu produto estava distante do que o mercado demandava. A equipe técnica não tinha uma visão clara das reais necessidades dos usuários. "Um ano e meio depois do lançamento oficial (que aconteceu no fim de 2010), e tendo visitado mais de 200 clientes potenciais, a companhia ainda estava longe de atingir os resultados pretendidos", escreveram os pesquisadores.

Internamente, as pessoas começaram a se perguntar "estamos tentando vender o produto certo para os clientes errados?" ou "o produto está todo errado?" A equipe técnica tinha uma ideia errada do que seriam as necessidades dos clientes. "Certezas cristalizadas e baixa sensibilidade a novos fatos levaram a uma implementação obstinada de projetos que o mercado não estava necessariamente pedindo, enquanto outros, que eram parte da demanda de clientes potenciais, eram adiados para 'quando for possível'", apontou o paper.

A Mcompany acabou gastando os recursos disponíveis sem alcançar os resultados esperados.

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