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Quando o BC cortará os juros

Há quem não descarte uma queda na Selic já na reunião de 7 e 8 de junho

Fábio Alves, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2016 | 05h00

Diante da profunda recessão e da trajetória mais benigna do IPCA – o índice oficial de inflação –, é praticamente um consenso entre analistas a necessidade de o Banco Central começar a reduzir a taxa de juros, atualmente em 14,25% ao ano, ainda em 2016, seja quem estiver no comando do País.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anuncia sua decisão na próxima quarta-feira, dia 27. Praticamente ninguém espera uma alteração na taxa Selic, especialmente porque ainda tramita o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado.

É impensável esperar uma mudança na política monetária enquanto não se sabe se Dilma e, por tabela, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, seguirão nos seus cargos.

Mas é razoável apostar numa sinalização pelo BC de que um ciclo de afrouxamento monetário talvez esteja mais perto do que longe, mesmo que esse recado não seja tão explícito. Basta o BC reconhecer o progresso no processo de desinflação, visto não somente na inflação corrente, mas também nas projeções do IPCA ou nas estimativas de inflação implícita refletidas nos títulos públicos negociados no mercado.

Nesta quarta-feira, 20, foi divulgado o IPCA-15 de abril, que subiu 0,51% em comparação com o índice de março. Em doze meses, o IPCA-15 acumula alta de 9,34%. Na mais recente pesquisa Focus, do BC, os analistas revisaram para baixo pela sexta semana consecutiva a estimativa de inflação para 2016, projetando agora um índice de 7,08%.

Boa parte da desaceleração observada no IPCA pode ser explicada pela queda do dólar frente ao real e também pela forte recessão. Depois que a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma, os analistas passaram a projetar um dólar bem mais comportado até o fim do ano. Na pesquisa Focus, a cotação estimada para a moeda americana caiu de R$ 4,00 para R$ 3,80 no fim de 2016. E, com o dólar abaixo de R$ 4,00, a expectativa é de a inflação ceder mais rapidamente, abrindo uma janela de oportunidade para o BC cortar juros mais cedo.

A dúvida é: quão cedo um novo presidente do BC, num eventual governo Michel Temer, poderia começar a baixar os juros? Há quem não descarte uma redução na taxa Selic já na reunião do Copom marcada para os dias 7 e 8 de junho, se o Senado decidir, até lá, afastar a presidente Dilma por 180 dias.

Há, contudo, outra corrente de analistas e investidores que considera as reuniões de julho ou de agosto do Copom como as mais prováveis para o início do corte de juros. É consenso que a perspectiva de uma trajetória fiscal mais apertado e de um câmbio mais ancorado deve criar espaço para uma expressiva queda de juros no segundo semestre deste ano.

Talvez mais importante do que o início do ciclo de afrouxamento monetário será a velocidade no corte de juros e o tamanho total desse ciclo. Há analistas, como os dos bancos Bradesco e Itaú Unibanco, que apostam numa redução de 2 pontos porcentuais na taxa Selic até o fim de 2016, para 12,25% ao ano.

Se as expectativas convergirem mais rapidamente em direção ao centro da meta de inflação, de 4,5%, o processo de corte de juros poderá começar mais cedo, com perspectiva de uma redução final maior. Não se descarta um ciclo mais gradual, com quedas ao ritmo de 0,25 ponto porcentual, por um período mais prolongado. Ou seja, iniciar cortes de juros comedidamente e, à luz da inflação e das expectativas, reavaliar seu ritmo e tamanho.

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