Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/Reuters

Quando o patrão incentiva a fertilidade

Empresas como Facebook, Apple, Tesla e Starbucks incluem procedimentos como congelamento de óvulos e fertilização ‘in vitro’ no rol de benefícios

The Economist

17 de agosto de 2019 | 05h00

Empresas como Apple, Facebook, Tesla, Bain, KKR e Starbucks estão oferecendo aos empregados benefícios para que tenham filhos. 

Quando a Apple e o Facebook começaram a pagar a funcionários para congelarem seus óvulos, em 2014, essa generosidade foi recebida com ceticismo. Para os críticos, tratava-se de outra tentativa de engenharia social do Vale do Silício, e não de uma iniciativa de apoio às mulheres. Mais do que dar poder a elas, diziam os críticos, os benefícios as pressionaria a adiar a maternidade. Melhor faria a Apple se instalasse mais creches em seu novo quartel-general. 

Tais objeções não impediram funcionários de abraçar esses planos. Ao contrário. Uma em quatro grandes companhias americanas hoje paga por algum tipo de tratamento de fertilidade, segundo a consultoria Mercer, e 1 em 20 cobre o congelamento de óvulos. 

A America Bain, empresa de consultoria, a KKR, de investimentos, e a Tesla, fabricante de carros, pagam por ciclos ilimitados de fertilização in vitro (que podem custar US$ 100 mil), segundo o FertilityIQ, site para pacientes que buscam tratamento contra infertilidade.

Nesta semana, a Starbucks informou que elevaria sua cobertura de fertilidade para US$ 25 mil, inclusive para baristas que trabalham 20 horas por semana por mais de seis meses.

A maioria dos Estados americanos ainda não exige que as seguradoras cubram tratamentos contra a infertilidade. Assim, empresas que aderiram à prática estão usando os benefícios que oferecem para se diferenciar das outras. Isso ajuda a recrutar e manter funcionários, diz Jake Anderson-Bialis, do FertilityIQ.

O site apurou que 62% dos trabalhadores cujos empregadores pagam tratamentos completos de fertilização in vitro são mais inclinados a ficar no emprego. Já empresas adeptas da diversidade e inclusão veem planos de saúde que têm fertilização ou barrigas de aluguel como um canal para captar empregados LGBTs. Algumas companhias insistem que seus funcionários tentem meios naturais para engravidar por um ano antes de se qualificarem para tratamento (com exclusão de qualquer um que não seja heterossexual numa relação estável). Outras parecem ter adotado benefícios de fertilidade em resposta a escândalos de assédio sexual. Under Armour, Uber e Vice aderiram a políticas pró-família, incluindo generosos incentivos à fertilidade, após controvérsias.

Muitas dessas atitudes são bem-vindas. Mas defensores da igualdade de gênero apontam que alguns benefícios, particularmente o congelamento de óvulos, podem ser manobras para desviar a atenção e não eliminam a prática de punir a maternidade em locais de trabalho. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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