Matthew Abbott|The New York Times
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Quando o sonho da imigração vira pesadelo

Na Austrália, metade dos trabalhadores estrangeiros recebe menos de US$ 12 por hora

Matthew Abbott|The New York Times
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Jacqueline Williamson, The New York Times

25 de novembro de 2017 | 16h00

Como muitos jovens sul-coreanos, Gabi Cho mudou-se para a Austrália para aprender inglês, respirar um ar mais puro e ganhar algum dinheiro. Há dois anos, conseguiu um emprego de cabeleireira em Lidcombe, em Sydney, com salário de US$ 9 por hora. Para conseguir a vaga teve de desembolsar US$ 380, que seriam devolvidos se não chegasse atrasada nem faltasse ao trabalho. Ela não sabia, na época, que tudo isso era ilegal. 

Hoje, Gabi Cho move uma ação contra o salão de beleza, que lhe deve US$ 30 mil. Ela está entre os milhares de trabalhadores estrangeiros temporários na Austrália que vivem de subempregos, de acordo com um relatório divulgado este mês. O levantamento aumenta as evidências de que a Austrália abriga uma subclasse enorme, mas silenciosa, de trabalhadores imigrantes que são vítimas de abusos no mercado de trabalho. "O patrão explorou o fato de eu não saber bem inglês e minha falta de conhecimento da lei e dos direitos do trabalhador”, disse Gabi. 

Com uma economia desenvolvida, um ambiente saudável e com os mercados de trabalho em penúria em muitos lugares, a Austrália se tornou uma opção atraente – o que levou à discussão sobre o número de trabalhadores estrangeiros que o país deve admitir e se podem ter permissão para viver ali permanentemente. Para o primeiro-ministro Malcolm Turnbull, muitos desses trabalhadores ocupam o lugar de australianos que estão em busca de emprego.

A pesquisa divulgada no dia 14, chamada Wage Theft in Australia, abrange um número estimado de 900 mil migrantes com direito de trabalhar no país. E conclui que cerca de um quarto dos estudantes internacionais recebe menos de 12 dólares australianos, ou US$ 9, por hora, e a metade consegue 15 dólares australianos (US$ 11,25), ou menos. Os empregos mais mal pagos estão na área de colheita de legumes e frutas e trabalho agrícola. “Sabemos que isso já está enraizado e é generalizado”, disse Bassina Farbenblum, coautora do estudo e professora de Direito na Universidade de New South Wales. 

As conclusões são parecidas com as do governo australiano. Jovens e imigrantes podem estar mais suscetíveis à exploração no mercado de trabalho, disse Mark Lee, porta-voz da Fair Work Ombudsman, agência do governo que investiga as queixas trabalhistas. Os trabalhadores de países asiáticos são particularmente suscetíveis, segundo o estudo. Os que vêm da China, Taiwan e Vietnã recebem salários menores do que os da América do Norte, Irlanda e Grã-Bretanha. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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