''Quando quero espairecer, é mais fácil ir ao cinema concorrente''

Marcelo Bertini, 47 anos, corre contra o tempo. Presidente da Cinemark Brasil, ele pretende inaugurar, até fevereiro, mais 30 salas de exibição de filmes em 3D. A rede já dispõe dessa tecnologia em 90 salas de um total de 433. Há três anos à frente da empresa, que vende cerca de 38 milhões de ingressos por ano, Bertini comanda uma equipe de mais de 3 mil funcionários. "Me dei conta de que a gente atende quase a uma Argentina inteira", disse. Antes de chegar na Cinemark, em 1998, Bertini passou pelo mercado financeiro e pelas empresas McKinsey e IBM. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.

Yolanda Fordelone, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2011 | 00h00

Quais os planos da rede para os próximos anos?

Temos um objetivo que é a transição da projeção de 35 milímetros para a digital, que é a base para a transmissão com tecnologia em 3D. Temos 90 salas com tecnologia 3D e, até meados de fevereiro, queremos chegar a 120 salas, com planos de expandir mais esse número em 2011. Isso ainda depende de acordos com os nossos fornecedores. Nós concorremos com o plano de expansão da nossa matriz nos Estados Unidos, então o nosso projeto de migração para digital depende muito do suprimento da nossa matriz e desse alinhamento do nosso plano de migração com o plano deles.

A consolidação da classe C ajudou o mercado de exibição de filme?

Nós vemos com bons olhos a ascensão da classe C. Essa nova classe consegue agora reservar uma parte da renda para atividades de lazer, e isso é positivo. Em 2008, quando a classe C ainda tomava corpo e ocorreu a crise, as prioridades eram outras, como comprar linha branca e televisores. Na época, a venda de carros também bateu recorde, porque havia uma quantidade muito grande de financiamento sendo ofertada.

Quais são os principais entraves para atrair novos públicos?

O maior entrave para o público é não ter produto. A gente teve os dois recordes da indústria em 2010: Avatar e Tropa de Elite 2. Filmes muitos distintos. E o público reagiu muito bem. Não faltou sala para exibir os filmes, talvez tenham faltado salas digitais em formato 3D para exibir Avatar. Mas batemos o recorde de receita da história do cinema com Tropa de Elite 2. O recorde de público ainda continua com Titanic.

A Cinépolis, uma grande empresa mexicana, começou a investir no Brasil. Como o sr. tem visto o avanço da concorrência?

Falam muito da nova concorrência, mas eu digo que a gente sempre teve concorrência. A concorrência dos exibidores nacionais sempre foi muito competente para se adaptar às novas necessidades do mercado. Eu vejo a entrada de mais um concorrente da mesma forma como eu trato o concorrente que já opera no Brasil há quase 100 anos.

Como é a sua atuação dentro da Cinemark?

Participo dos projetos desde a sua negociação até a inauguração. Uma questão muito importante é a gestão do seu time. São 3,5 mil pessoas aproximadamente que trabalham na nossa empresa. E, se a gente não cuidar bem do nosso time, ele não vai cuidar bem do cliente. Eu também costumo dizer que somos uma empresa de exibição, alimentos e bebidas e de mídia. Temos três negócios que são muito distintos e temos 38 milhões de clientes para atender. Outro dia eu me dei conta de que a gente atende quase a uma Argentina inteira.

Quantas horas por dia o sr. trabalha?

De 10 a 12 horas. Às vezes, 14 horas. A gente nunca se desconecta. Dentro do escritório, eu fico 12 horas, mas você fica conectado o tempo todo.

Tem tempo de ir ao cinema?

Eu vou ao cinema, mas não necessariamente é um prazer para mim, porque quando eu visito um cinema eu visito com o olho crítico. Quando eu quero espairecer muito é até mais fácil eu ir ao concorrente, porque fico mais tranquilo e não fico observando nada.

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