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Quandt de Oliveira

As telecomunicações brasileiras não passam por seu melhor momento. As operadoras são líderes de reclamações nos órgãos de defesa do consumidor. A expansão do celular apresenta forte desaceleração. Foram adicionados somente 215 mil acessos à base de usuários em junho. Para se ter uma ideia, havia sido 1,764 milhão em dezembro. Além disso, a velocidade da banda larga brasileira ficou abaixo da média nacional num estudo da Akamai, divulgado na semana passada. O acesso típico por aqui tinha 2,3 megabits por segundo (Mbps), ante 3,1 Mbps no mundo. O Brasil ficou atrás até de outros latino-americanos, como México, Chile e Colômbia.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2013 | 02h04

Diante desses resultados, que refletem a ausência de uma política forte de telecomunicações, vale a pena relembrar a trajetória do capitão de mar e guerra Euclides Quandt de Oliveira, que morreu na madrugada do dia 19, aos 93 anos, em Petrópolis (RJ). Ele foi presidente do Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel), precursor do Ministério das Comunicações, de 1965 a 1967. Em 1972, assumiu a presidência da recém-criada Telebrás. Comandou a empresa até 1974, quando foi nomeado ministro das Comunicações, e ficou à frente da pasta até 1979.

Quandt de Oliveira liderou a transformação das telecomunicações brasileiras num sistema único e nacional. O jornalista Ethevaldo Siqueira destacou sua importância, num texto publicado no site Telequest: "Exemplo de militar digno, patriota e competente, o comandante Quandt - como todos o chamavam - é um dos brasileiros que merecem meu maior respeito. Em plena ditadura, impediu que grandes profissionais das telecomunicações fossem punidos por suas convicções políticas".

No começo dos anos 1970, o setor era uma bagunça. Havia centenas de operadoras - algumas municipais, outras privadas -, que normalmente cobriam só uma cidade, e não eram interligadas. A criação da Telebrás foi uma resposta a essa situação. As empresas foram agrupadas em operadoras estaduais, coordenadas pela holding nacional e conectadas pela rede da Embratel, que havia sido fundada em 1965.

O Sistema Telebrás deu bons resultados por pouco mais de uma década, e acabou sendo sucateado por indicações políticas e pela drenagem de recursos pelo governo. Quando foi privatizado, em 1998, o déficit da telefonia era imenso. Uma linha telefônica chegava a custar US$ 5 mil no mercado paralelo. As pessoas ficavam anos à espera se quisessem contratar uma linha diretamente da operadora. Apesar de ter sido o primeiro presidente da Telebrás, Quandt de Oliveira criticou a volta da estatal em 2010: "A Telebrás não está sendo recriada para servir à sociedade brasileira. Sua reativação tem o claro objetivo de atender a comparsas políticos. Isso nos conduzirá, inevitavelmente, à degradação dos serviços".

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