Pedro Ventura/Agência Brasília
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Quarentena amplia consumo residencial e faz botijão de gás sumir do mercado no Distrito Federal

Também há falta de gás confirmada em regiões de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais; Aumento da procura e a falta do produto ao consumidor são reconhecidos pelo Ministério de Minas e Energia

André Borges, Anne Warth e Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2020 | 10h26

BRASÍLIA – A lista de itens raros no comércio por causa da disseminação do novo coronavírus inclui, agora, o botijão de gás. No Distrito Federal, o produto desapareceu nos últimos dias. Em regiões como Ceilândia e Taguatinga, distribuidoras de gás estavam com filas imensas, vendendo o botijão cheio por R$ 90 a R$ 95. O produto, no entanto, acabou.

Nesta terça-feira, 7, a reportagem percorreu toda região e passou por distribuidoras. Todas estavam vazias e fechadas. O desabastecimento do gás de cozinha, também conhecido como GLP, não é diferente no Plano Piloto, região central de Brasília, onde grande parte dos edifícios ainda utiliza o botijão, em vez do gás encanado.

Durante todo o dia, a reportagem ligou para mais de 15 distribuidores de diferentes regiões em Brasília. Em nenhum havia gás disponível. O vendedor Reginaldo Lima Araújo, que trabalha numa distribuidora da Supergasbrás no Plano Piloto, afirmou que há oito dias os botijões começaram a ficar escassos. "Na semana passada, só trabalhei dois dias, porque depois não tinha mais para entregar", disse. Araújo disse que não houve aumento no preço em sua rede, que tem cobrado R$ 95, com a entrega na residência do consumidor.

Brasília não é caso isolado. Há falta de gás confirmada em regiões de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O aumento da procura e a falta do produto ao consumidor são reconhecidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Por meio de nota enviada à reportagem, o Ministério de Minas e Energia declarou que as pessoas estão ficando mais em casa e criando novos hábitos por causa da necessidade de isolamento, o que já resultou em um aumento de 23% da demanda, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

“Além do aumento na procura, as famílias também anteciparam suas compras por novos botijões. Esse cenário criou, em determinado momento, uma escassez pontual de GLP”, declarou o ministério.

Para dar continuidade ao abastecimento nacional, o ministério informou que a Petrobrás antecipou algumas ações para garantir o abastecimento, importando GLP. De acordo a empresa, no dia 30 de março chegou um primeiro navio ao porto de Santos (SP), com um volume de GLP equivalente a 1,6 milhão de botijões. Um segundo navio chegou no dia 6 de abril e está programada a chegada de um terceiro navio no dia 10 de abril. “Soma-se a essas ações a retomada da operação do duto que conecta o porto de Santos à Mauá (SP), disponibilizando aos distribuidores mais um ponto de retirada de GLP.”

“O Ministério de Minas e Energia segue atento às demandas do setor de GLP com os outros órgãos e com o próprio setor no sentido de preservar o abastecimento nacional.”

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