Quarto maior banco dos EUA anuncia prejuízo de US$ 393 mi

Com perdas no 1º tri, instituição informou que cortará dividendo e prevê levantar US$ 7 bilhões em capital

Reuters,

14 de abril de 2008 | 09h36

O Wachovia Corp, o quarto maior banco dos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira, 14, um surpreendente prejuízo para o primeiro trimestre, depois de salto de perdas com crédito. O prejuízo líquido foi de US$ 393 milhões, ou US$ 0,20 por ação, ante lucro um ano antes de US$ 2,3 bilhões, ou US$ 1,20 por ação. A instituição informou que cortará dividendo e prevê levantar US$ 7 bilhões em capital. O presidente-executivo da instituição, Ken Thompson, informou que "o declínio nas condições do mercado imobiliário e mudanças sem precedentes no comportamento do consumidor" prejudicaram os resultados do banco.     Veja também:   Economia global vive situação entre 'gelo e fogo', diz FMI  Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   Bolsas na Ásia caem com resultado da GE e medo de recessão    O Wachovia tem sofrido por causa de sua aquisição de US$ 24,2 bilhões da concessora de hipotecas Golden West Financial Corp em 2006, realizada no auge do boom imobiliário. Analistas, em média, esperavam lucro de US$ 0,48 por ação sobre receita de US$ 8,37 bilhões, segundo a Reuters. Excluindo itens excepcionais, o prejuízo somou US$ 270 milhões, ou US$ 0,14 dólar. A receita caiu 5%, para US$ 7,9 bilhões. A instituição informou que separou US$ 2,83 de dólares para perdas com crédito ante US$ 177 milhões um ano antes e quase o dobro do US$ 1,5 bilhão definido no quarto trimestre. O total de empréstimos de difícil recuperação quintuplicou na comparação com o mesmo período do ano passado, para US$ 765 milhões. O Wachovia informou que reduzirá dividendos trimestrais em 41%, preservando US$ 2 bilhões em capital ao ano.   Em março deste ano, o quinto maior banco dos Estados Unidos, o Bear Stearns, entrou em colapso devido à crise de hipotecas de alto risco e foi comprado pelo JP Morgan por apenas US$ 236,2 milhões. O valor representou US$ 2 por ação, ante US$ 70 um ano antes. O baixo valor da compra continua a tumultuar os negócios em todo o mundo, com o temor de que outros bancos sejam vítimas da crise, que começou no setor de crédito imobiliário de alto risco (subprime) nos EUA.   Segundo o Credit Suisse, a crise bancária do país deve resultar em perdas relacionadas a crédito de cerca de US$ 650 bilhões, dos quais apenas 40% foram revelados até agora. A instituição também afirmou que os bancos podem precisar levantar até US$ 140 bilhões em capital.

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